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Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Entramos em 2023 com uma certeza: a política dinâmica de zero casos não vem connosco.

Tanto na China como nas regiões administrativas especiais, o isolamento atrasou o progresso e a construção de pontes com o exterior – algo que a China necessita para contrariar a hegemonia do Ocidente. O abalo económico foi assolador, e está na altura de virar a página. Desde o início da pandemia, a única solução era a reabertura do país. Sem isso, quaisquer projetos dificilmente saíam do papel.

Mas estranha-se a velocidade do desmantelamento de uma política até há pouco tempo intocável e intransigente para com os apelos da população. Certamente aprecia-se esta nova fase, não fosse uma contradição à mensagem que sustentava a rigidez das medidas: “Salvar vidas é a prioridade”. Pergunto se ainda é, porque não parece, dada a falta de preparação do sistema de saúde para fazer face ao aumento do contágio.

Demorou três anos, mas finalmente se percebeu que a pandemia não iria desaparecer. Era preciso lidar com o vírus, pois evitá-lo para sempre era insustentável – a vários níveis.

Mas durante estes três anos pôde-se observar e estudar o impacto que as políticas de laissez-faire tiverem nos sistemas de saúde de países desenvolvidos, em desenvolvimento e de terceiro mundo. Amostras não faltaram, para que os erros cometidos por outros, não tivessem de ser os erros cometidos por Macau.Tão grande foi o foco na prevenção, que se ignorou os recursos que seriam necessários para enfrentar o vírus.

E o resultado é o que vemos hoje: o sistema de saúde entra em rutura, à medida que o pessoal médico cai à mercê da Covid-19 e os pacientes multiplicam.

Leia mais sobre o assunto: Infeção generalizada fragiliza sistema de saúde de Macau

A população queixa-se de falta de medicamentos, subida dos preços dos que ainda se encontra, caos nas urgências do hospital público, inutilidade das clínicas comunitárias e centros de tratamento externos. A balança claramente não está equilibrada, e sabe-se que estamos a passar pelo pico das infeções. Obviamente que proteger vidas não se resume à política de combate à Covid-19.

Trabalhar para a recuperação económica da cidade tem efeito semelhante na vida das pessoas. Criar fontes de receita, diminuir a taxa de desemprego e subemprego, voltar a receber fornadas de turistas, tudo isso importa. Mas o contrapeso não foi bem medido. O volte-face na política ainda não projeta recuperação.

E é normal.

A cidade congela para atingir a imunidade de grupo. Até meados de janeiro, Macau não vai ter os recursos humanos suficientes para retomar a indústria turística. Mas o vírus não vai desaparecer ; vai haver novas ondas, e os serviços de saúde terão de repensar a estratégia. Macau tem de garantir os serviços mínimos à sua população. Neste momento, a incapacidade é gritante.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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