Promotores acusam partidários de Trump que invadiram o Capitólio de 'rebelião armada' - Plataforma Media

Promotores acusam partidários de Trump que invadiram o Capitólio de ‘rebelião armada’

O julgamento de cinco membros do grupo de extrema direita Oath Keepers, acusados de sedição, começou esta segunda-feira (3) com promotores os acusando de se armar fortemente para atacar o Capitólio e manter Donald Trump na Casa Branca, em 6 de janeiro de 2021

O advogado do Departamento de Justiça Jeffrey Nestler afirmou que o fundador do grupo, Stewart Rhodes, um ex-militar conhecido por seu tapa-olho e discursos incendiários, sabia exatamente o que estava fazendo quando conduziu os membros de sua milícia até a sede do Congresso americano.

Nestler mostrou vídeos da tomada violenta do Capitólio, realizada por dezenas de membros do grupo vestidos com roupas de combate, observando que Rhodes os liderou “como um general no campo de batalha” enquanto os legisladores tentavam certificar a vitória de Joe Biden.

Em 6 de janeiro, os Oath Keepers “traçaram um plano para uma rebelião armada (…) conspirando para se opor à força ao governo dos Estados Unidos”, disse Nestler.

“Eles não foram à capital para defender, nem ajudar. Eles foram para atacar”, disse.

Mas o advogado de Rhodes, Phillip Linder, assegurou que seu cliente, bacharel em direito pela Universidade de Yale, é “extremamente patriota” e “especialista constitucional”.

Segundo ele, os Oath Keepers foram a Washington para fornecer segurança ao discurso de Trump e outros eventos trumpistas naquele dia. “Os Oath Keepers são quase uma força de manutenção da paz”, acrescentou.

“Stewart Rhodes não tinha nenhuma intenção violenta nesse dia”, insistiu.

O advogado acrescentou que o grupo criou uma “força de reação rápida” armada naquele dia, caso fosse necessário, e que teria sido “defensivo” se Trump precisasse.

Rhodes é julgado junto com quatro outros líderes regionais de sua milícia.

Em documentos judiciais, seus advogados alegaram que não queriam derrubar o governo, mas esperavam que Trump declarasse um Estado de insurreição, sob uma lei de 1807 que permite que os presidentes americanos mobilizem certas forças armadas em circunstâncias excepcionais.

Mas para o Departamento de Justiça este argumento é apenas uma estratégia de proteção de Rhodes.

“O que Rhodes disse sobre a Lei de Insurreição foi uma cobertura legal”, afirmou Nestler.

Desde a tomada do Capitólio, mais de 870 pessoas foram presas, e 100 já receberam sentenças de prisão, especialmente aquelas que agrediram policiais. Até agora, no entanto, ninguém havia enfrentado a acusação de “sedição”.

Stewart Rhodes e quatro líderes regionais de sua milícia – Kelly Meggs, Thomas Caldwell, Jessica Watkins e Kenneth Harrelson – são os primeiros a serem julgados por esta acusação, decorrente de uma lei adotada após a Guerra Civil Americana para reprimir os últimos rebeldes do Sul.

A sedição, punida com até 20 anos de prisão, implica o planejamento do uso da força para derrubar o governo, ou se opor a alguma de suas leis. Difere da insurreição, que tem um caráter mais espontâneo.

De acordo com a ata de acusação, eles “conspiraram para se opor pela força à transferência legal do poder presidencial”.

Concretamente, Rhodes é acusado de ter começado a reunir suas tropas em novembro de 2020. “Não vamos sair disso sem uma guerra civil”, escreveu aos líderes regionais dois dias após a eleição presidencial, em uma mensagem criptografada.

Os membros do júri foram selecionados na semana passada depois que o juiz Amit Mehta negou um pedido da defesa para transferir o julgamento para fora de Washington, alegando que os moradores poderiam ser tendenciosos contra os réus devido à violência desencadeada na ocasião.

O advogado de Rhodes também pediu ao magistrado que proibisse o uso de termos frequentemente usados para se referir aos Oath Keepers, como “antigoverno”, “milícia organizada”, “extremistas”, “racistas” e “nacionalistas brancos” durante o julgamento.

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