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Livro une nove culturas lusófonas numa reflexão sobre media, arte e tecnologia

A inteligência artificial (IA), o jornalismo, a arte e a preservação cultural estão no centro de “Media, Arte e Tecnologia nas Nove Culturas de Língua Portuguesa”, obra lançada pela Universidade de São José, em Macau, que reúne investigadores lusófonos para refletir sobre os desafios e transformações do mundo de língua portuguesa

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A Fundação Rui Cunha, na terça-feira, 12 de maio, acolheu a apresentação do livro “Media, Arte e Tecnologia nas Nove Culturas de Língua Portuguesa”, organizado e editado por José Manuel Simões e publicado pela Universidade de São José (USJ) em setembro de 2025.

Em entrevista ao PLATAFORMA, o diretor e professor associado do Departamento de Media, Arte e Tecnologia da USJ explica que o livro assenta numa forte dimensão cultural e destaca o papel da língua portuguesa como elo de ligação entre diferentes povos e identidades.

“Todos eles nos representam enquanto língua mãe e enquanto língua de união entre todos aqueles que falam português”, afirma, referindo-se às diferentes culturas presentes no espaço lusófono.

O académico utilizou ainda metáforas para ilustrar as várias expressões da língua portuguesa no mundo. “O português falado no Brasil é português com açúcar. O português de Portugal é português com sal. E o português de África é português com café”, disse.

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Entre os temas abordados na obra, José Manuel Simões destacou o papel da IA no ensino em Angola, o impacto da IA no jornalismo cabo-verdiano e a importância das rádios comunitárias em São Tomé e Príncipe.

No caso do Brasil, o livro explora a relação entre arte e criptomoedas, enquanto o capítulo dedicado a Timor-Leste analisa o papel do jornalismo de investigação num país marcado pela luta pela independência.

“Timor tem um jornalismo com missão e legado”, afirma Simões, acrescentando que os jornalistas timorenses carregam a memória dos que morreram pela liberdade e pela construção democrática do país.

Já na Guiné-Bissau, o investigador destaca a riqueza cultural, os rituais e a gastronomia, mas também as fragilidades do setor mediático local. “Na Guiné, os jornalistas são chamados ‘bocas de aluguer’, o que é sintomático do estado do jornalismo localmente”.

Questionado sobre o futuro da língua portuguesa face aos crioulos e dialetos locais, José Manuel Simões defendeu a preservação dessas expressões culturais, alertando para o risco de desaparecimento caso deixem de ser ensinadas ou utilizadas.

“Os crioulos devem continuar a ser falados, mas não havendo livros, não sendo estudados nas escolas, tendem a desaparecer”.

O académico aponta o caso do patuá de Macau como exemplo da importância da preservação cultural através da música, do teatro e das tradições familiares. “Não é por se falar português e também patuá que o português se fragiliza. Pelo contrário, fortalece-se”.

José Manuel Simões revelou ainda que já estão em preparação dois novos projetos editoriais: “O Português nas Nove Culturas de Língua Portuguesa”, dedicado ao estado da língua portuguesa nos vários espaços lusófonos, e “As Indústrias Criativas nas Nove Culturas de Língua Portuguesa”.

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Sobre a IA, o investigador reconheceu as potencialidades da tecnologia, mas alertou para os riscos éticos associados à sua utilização.

“O importante é refletirmos sobre as questões éticas. Não havendo uma norma ética a vigiar a ação da IA, podemos correr o risco de ela tomar um posicionamento que pode ser nefasto”, afirma.

A obra foi escrita em português e inglês, reúne textos que analisam a evolução dos media, da arte e da tecnologia em diversos contextos lusófonos, abordando temas como inteligência artificial, jornalismo, empreendedorismo, indústrias criativas e preservação cultural.

Com introdução de José Manuel Simões e prefácio de João Nuno Brochado, o livro integra contributos de Wilson Caldeira (Angola), Daniel Farinha (Brasil), Silvino Évora (Cabo Verde), Camará Morto (Guiné-Bissau), Carmen Monereo (Macau), Vanessa Rodrigues (Moçambique), Rui Torres e Fernanda Bonacho (Portugal), José Manuel Simões (São Tomé e Príncipe), Paulo Faustino e Rui Novais (Timor-Leste).

A publicação pretende “projetar conhecimento” e promover o diálogo entre diferentes realidades culturais unidas pela língua portuguesa, segundo José Manuel Simões, citado por uma nota de imprensa à fundação.

“É um livro de afetos que une todos os que falam português”, afirmou o académico, citado pela mesma fonte, sublinhando que a obra procura refletir “sobre a tecnologia ao serviço dos campos dos media e da arte, na educação, no sistema informacional e na construção de valores, sobretudo culturais”.

A publicação analisa também as práticas artísticas contemporâneas enquanto formas de compreender as mudanças socioculturais impulsionadas pela evolução tecnológica, explorando linguagens visuais e verbais, transformações no mercado cultural e o impacto da mercantilização cultural.

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