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Macau regional

Guilherme RegoGuilherme Rego*

Tem-se colocado muito a questão da capacidade de Macau em competir com as restantes cidades da Grande Baía, nomeadamente no setor financeiro ou turístico. Neste último, há um certo medo ou receio de que a cidade perca a sua singularidade, sobretudo pelas atuais incertezas que pairam à volta da indústria do jogo e do que Pequim pretende para o seu futuro.

Muitos até vêm Hengqin como um mercado a “abater”. O medo é lógico, claro, e se quem governa não estiver ciente das consequências de um mau planeamento regional – um em que não defenda os seus interesses e siga cegamente uma linha de ação vinda de cima –, então sim, pode estar perante uma morte lenta.

Mas pode-se inverter a questão, não pensando tanto na competitividade, mas sim nos benefícios que a regionalização e cooperação com a Grande Baía trazem. Qual seria a capacidade de Macau se desenvolver e diversificar sem esta integração?

As últimas décadas foram dedicadas somente à indústria do jogo, um mercado incrivelmente próspero, mas que enfrenta tamanhas dificuldades que nem os mais sábios analistas se atrevem a projetar com segurança os próximos meses. Este foco numa mono economia construiu uma cidade incapaz de explorar outras vias.

A diversificação económica não é um tema de agora, sempre esteve nos planos, mas era cada vez mais assente que não havia capacidade nem espaço para a desenvolver. Hoje ela existe, com os primeiros passos a serem dados em Hengqin. Esta Ilha faz parte de um plano que visa a regionalização, procura integrar Macau num conglomerado urbano com imenso potencial.

As infraestruturas, serviços e políticas que se estão a criar ligam a cidade às restantes, motivando um maior fluxo de pessoas, capital e atração de talentos. Mesmo atravessando um período conturbado, Macau tem de explorar as oportunidades da região e vincar a sua posição. Dado o seu tamanho, nunca terá potencial para competir em determinado ramos da economia – com décadas ou anos de avanço noutras cidades.

E se as fichas forem lançadas nesse sentido, o erro é crasso. Porém, essa não deve ser a preocupação; há áreas onde Macau tem vantagens, nomeadamente no seu know-how turístico, e até traz mercados à mesa, se reforçar o compromisso em intermediar com os Países de Língua Portuguesa.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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