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Poder de decisão não é de Macau

No universo analista já se prevê um recuo das receitas de jogo em 2022, quando 2021 representou crescimento. Agora, pensa-se que as receitas se podem aproximar dos valores registados em 2020, o primeiro ano de pandemia, com os resultados destes meses de verão a aproximarem- se do zero.

Mesmo antes do regresso do vírus, Macau fechava o primeiro semestre de 2022 com resultados francamente dececionantes – piores que o ano passado. O verão prometia, mas hoje sabemos que a entrada no segundo semestre será pior ainda, pois o vírus teima em largar a cidade. A política de “casos zero” está a fazer uma autêntica limpeza das pequenas e médias empresas locais, e mais uma vez impede que grandes eventos sejam realizados nas datas previstas. A indústria MICE, uma das soluções apresentadas para iniciar a diversificação económica, é uma das mais afetadas pela intolerância ao vírus.

Ao mesmo tempo, é esta a política que nos tem permitido manter as fronteiras abertas com a China Continental, que sempre foi o maior mercado turístico de Macau, e hoje é o único. Essa circunstância não dá grande margem de manobra à cidade. Mesmo que tivesse a liberdade para adotar uma nova postura face à pandemia, nunca se soube internacionalizar, focando-se num mercado que mesmo sem a presença do vírus se torna cada vez mais antipático à grande marca da RAEM – o jogo.

Nem Hong Kong se apresenta como uma possibilidade a curto prazo. Um mercado que outrora representou 18,7 por cento das entradas em Macau, também batalha com um surto que parece não ter fim. O corredor especial com a cidade vizinha vê-se cada vez mais longe. O ‘timing’ para essas negociações congela sempre que uma sofre com a Covid-19 e neste momento sofrem as duas. Dois anos e meio depois da pandemia ter entrado nas nossas vidas, ainda não se encontrou uma solução que defenda os interessas de ambas as regiões. Mas a RAEM precisa desse mercado para contornar as dificuldades sentidas pelas restrições no Continente. Por outro lado, mesmo que Macau controle rápido e eficazmente o surto atual, é altamente provável que surjam mais durante o ano, seja aqui ou na China Continental.

Os surtos no Interior, aliás, foram os grandes obreiros dos maus resultados do primeiro semestre. Portanto, pouco importa o planeamento e os passos dados no relaxamento das fronteiras, porque no fim de tudo, a única certeza que temos é que o retrocesso é garantido caso haja um surto. A saída deste cenário negro não depende de Macau, mesmo que tivesse poder de decisão.

A recuperação económica está nas mãos de Pequim, e a direção atual só será alterada quando o vírus deixar de representar uma ameaça ao Governo Central. E nessa matéria não há voto, nem data. Está prometida uma revisão da Lei do Orçamento 2022 em Macau no segundo semestre, veremos que receitas se esperam e o que de facto atingimos no fim do ano.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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