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Jogo e PIB de Macau caem juntos

Guilherme RegoGuilherme Rego

As receitas brutas de jogo e o Produto Interno Bruto de Macau desceram em termos anuais, de acordo com os dados divulgados esta semana pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) e a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), respetivamente

É certo que as receitas de jogo em Macau aumentaram em maio, mas isso é apenas face ao mês anterior. Em termos anuais, verifica-se uma queda de 68 por cento, indicam dados divulgados pela DICJ na quarta-feira. Ao comparar os primeiros cinco meses de 2022 com o período homólogo do ano passado, nota–se ainda uma descida não tão acentuada de 44 por cento.

Quanto ao Produto Interno Bruto, testemunha-se a segunda quebra trimestral consecutiva. O PIB recuou 8,9 por cento entre janeiro e março, face a 2021. Nos últimos 13 trimestres, apenas em dois houve crescimento, sendo que agora se encontra a menos de metade do valor registado antes da pandemia.

Esta descida foi justificada com o “enfraquecimento da procura global”, segundo a DSEC. Os primeiros três meses do ano refletem um agravamento face à descida de 4,4 por cento registada entre outubro a dezembro de 2021.

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A despesa de consumo final das famílias no mercado local desceu anualmente 2,2 por cento, já que se observaram diminuições no consumo dos residentes em bens duradouros e semi-duradouros, devido às “incertezas das perspetivas económicas e ao enfraquecimento do mercado de trabalho”, ao mesmo tempo que as despesas de consumo final das famílias no exterior caíram 10,8 por cento, em virtude da “instabilidade da situação pandémica no Interior da China”.

Já a despesa de consumo privado diminuiu 2,7 por cento em termos anuais. No mesmo sentido esteve a despesa de consumo final do Governo de Macau, que desceu dois por cento em termos anuais, “dada a redução das despesas efetuadas pelo Governo da RAEM em prevenção pandémica”.

Quanto ao setor público, o investimento em obras públicas subiu 40,6 por cento em termos anuais, devido ao aumento do investimento em obras relacionadas com a habitação social, a Quarta Ponte Macau-Taipa e o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, o qual foi acompanhado de uma subida de 242,4 por cento do investimento em equipamento.

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No que toca ao setor privado, o investimento em construção registou uma descida anual de 19,4 por cento, muito devido ao “decréscimo do investimento em casinos”. Todavia, o investimento em equipamento subiu 22,4 pontos percentuais.

Por outro lado, o comércio externo de mercadorias manteve um “comportamento satisfatório”, com aumentos anuais de 29 por cento na importação de bens e de 56,8 por cento na exportação de bens. De salientar que também no mês de abril as exportações de mercadorias dos países lusófonos subiram 28,9 por cento, em comparação com o mesmo período de 2021. Já o valor exportado pelos Países de Língua Portuguesa para Macau rondou as 285 milhões de patacas.

O montante importado de mercadorias de Macau pelo bloco lusófono cresceu 148,1 por cento em termos anuais, ficando-se pelas 800 mil patacas.

Contudo, e apesar do aumento de oito por cento no número de visitantes que entraram no primeiro trimestre do ano, a queda no número de turistas acarretou a queda de 4,7 por cento das exportações de serviços, destacando-se a descida de 25,1 por cento nas exportações de serviços do jogo, enquanto as exportações de outros serviços turísticos aumentaram apenas 1,9 por cento. Quanto às importações de serviços, aumentaram 2,8 por cento em termos anuais.

Em maio, os casinos arrecadaram 3.341 milhões de patacas, quando no ano passado tinham contabilizado 10.445 milhões de patacas. Este é o segundo pior registo mensal dos casinos em 2022. Em abril, a indústria do jogo registou receitas de 2.667 milhões de patacas.

Entre janeiro e maio, o montante arrecadado foi de 23.792 milhões de patacas, contra os 42.487 milhões de patacas de 2021. A diferença em relação ao último ano pré-pandémico é significativa: Macau arrecadou, em maio deste ano, menos 87,1 por cento do que no mesmo mês de 2019.

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As medidas de restrição e controlo contra a Covid-19 levaram Macau, que em 2019 contabilizou quase 40 milhões de visitantes, a fechar a fronteira a estrangeiros e impor uma quarentena obrigatória a quem chega de zonas consideradas de alto risco. A perda de milhões de turistas levou a quebras sem precedentes na indústria do jogo, fundamental na economia da RAEM, que registou apenas 83 casos de Covid-19 desde o início da pandemia, em março de 2020.

O jogo representa cerca de 80 por cento das receitas do Governo e 55,5 por cento do PIB de Macau, numa indústria que emprega aproximadamente 17 por cento da população (mais de 80 mil pessoas).

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