Relatório britânico acusa China de "genocídio" da minoria uigur

Relatório britânico acusa China de “genocídio” da minoria uigur

Um relatório de ativistas e especialistas de direitos humanos britânicos do “Tribunal Uigur”, ontem publicado após meses de investigação, conclui que o tratamento dado pela China à minoria muçulmana uigur equivale a genocídio e crimes contra a humanidade

Os nove membros do “Tribunal Uigur”, assim denominado apesar de não ter autoridade judicial, ouviram numerosos testemunhos e examinaram provas fornecidas por investigadores independentes e associações.

O “Tribunal Uigur” não é afiliado a nenhum governo e a China recusou-se a participar tendo, pelo contrário, qualificado o grupo como uma “máquina de mentiras” e aplicado sanções à organização e ao seu presidente Geoffrey Nice.

Num relatório de 63 páginas, os especialistas admitem que não existem provas de um massacre de uigures, mas acrescentam que foram “estabelecidos” os “elementos do genocídio intencional”, conforme definido pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio da ONU.

“A República Popular da China (RPC) cometeu genocídio ao impor medidas de prevenção do nascimento destinadas a destruir uma parte significativa dos uigures em Xinjiang”, escrevem os especialistas, afirmando que o presidente chinês Xi Jinping e outros executivos de alto escalão “são os principais responsáveis”.

Embora os Estados Unidos já tenham feito referência ao tratamento dado aos uigures como “genocídio”, os nove especialistas reunidos em Londres acreditam que o relatório constitui “a primeira demonstração pública baseada em provas” de tal prática.

Leia também: 43 países exigem à China respeito por direitos de uigures

Segundo o relatório, a remoção do útero, abortos e a inserção forçada de dispositivos de contracepção em mulheres uigures pelo Estado chinês “resultarão num número de partos significativamente menor do que teria sido normal nos próximos anos” e uma “destruição parcial dos uigures”.

Os nove especialistas também consideraram a China responsável “sem qualquer dúvida razoável” por “crimes contra a humanidade”, citando “prisão, atos de tortura, violação, violência sexual, esterilização forçada e outros atos desumanos”.

De acordo com organizações de direitos humanos, pelo menos um milhão de uigures e pessoas de outras minorias de língua turca, principalmente muçulmanos, estão detidos em campos na província de Xinjiang.

A China é acusada de esterilizar mulheres à força e de impor trabalhos forçados.

Pequim rejeita e afirma que se tratam de “centros de treino vocacional” com o objetivo de distanciá-los do terrorismo e do separatismo na sequência de ataques mortais de uigures contra civis.

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