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Jogo novo

Muito para além da prova que o Ministério Público chinês produza sobre a angariação de jogadores, financiamento agiota e cobranças difíceis no mercado VIP chinês, a prisão preventiva de Alvin Chau anuncia o fim do ciclo multimilionário dos junkets. Organizaram-se primeiro à sombra de Stanley Ho; foram depois legalizados à luz de Pequim… que agora os enterra com estrondo.  

O CEO e fundador da Suncity era o príncipe encantado do universo paralelo que toda a gente conhece e com ele convive em Macau. Porque a China sempre deixou. Se todos os dias cá entram milhões que não podem de lá sair; se quem joga não justifica o dinheiro e paga no Continente as fichas que troca em Macau… sabe o senso comum que o sucesso dos junkets sempre foi o de garantir que todos faziam tranquilamente aquilo que ninguém é suposto fazer.  

Pequim decreta a morte do modelo junket e anuncia novas regras do jogo 

Pequim avisou e deu tempo. Entretanto, é verdade que o mercado das massas evoluiu muito. Mas o MICE nem por isso… e o verdadeiro problema é que Macau continua completamente dependente dos casinos. Mas esse é outro debate. Certo é que a sangria de dinheiro chinês, muitas vezes sacado ao Estado; pelo menos oriundo da economia paralela; foi sempre permitida pelo poder político. Seja em Macau, Lisboa ou Pequim. Mas esse tempo acabou. 

Em plena pandemia; em mudança clara de ciclo político; nas vésperas da reavaliação das concessões… Pequim decreta a morte do modelo junket e anuncia novas regras do jogo. É aliás esse o cenário para as futuras licenças de exploração. Por um lado, com caderno de encargos para diversificar a indústria, afastando-a definitivamente do mercado VIP chinês; por outro, na relação com o poder político em Macau e o compromisso da própria cidade em converter-se no tal centro internacional de turismo e lazer. 

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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