Olhar de outro ângulo para ver um mundo diferente - Plataforma Media

Olhar de outro ângulo para ver um mundo diferente

Os antecedentes culturais diferentes que possuímos resultam numa forma distinta de receber informação e perceber o mundo, divergem as perspetivas sobre a mesma coisa. 

A Teoria de Ação Comunicativa (Theorie des kommunikativen Handelns) do filósofo contemporâneo alemão Jürgen Habermas, afirma que quando ações comunicativas são iniciadas, as duas partes desenvolvem duas interpretações da situação com base nos seus diferentes historiais e posições. Quando estes entram em conflito, muitas vezes são criadas interrupções nas suas linhas de comunicação.  

Quer seja entre dois indivíduos, numa equipa ou comunidade, só garantindo uma comunicação eficaz é que todos os partidos conseguem compreender-se mutuamente. Trata-se da função dos media – assegurar que a informação é transmitida ao público sem equívocos. 

O dragão oriental precisa de um aliado no ocidente que o compreenda e auxilie no estabelecimento de uma posição internacional sólida.

Numa sociedade multicultural como Macau, o PLATAFORMA existe para dar resposta a esta necessidade social e garantir a comunicação entre várias comunidades. A comunicação bilíngue, para além de uma simples transposição de um sistema semiótico para outro, é também uma interpretação cultural e análise de informação social. Usamos a cultura como base para assegurar que a mesma mensagem e sentimento são transmitidos, evitando desentendimentos culturais e lacunas na sua compreensão.  

A promoção da plataforma de cooperação entre a China e Países de Língua Portuguesa é, sem dúvida, uma estratégia benéfica para todos os envolvidos. Para os países lusófonos, o mercado chinês é imensamente atrativo; para a China, estes países são uma importante ligação política. O dragão oriental precisa de um aliado no ocidente que o compreenda e auxilie no estabelecimento de uma posição internacional sólida. Todos os laços internacionais têm por base a reciprocidade, sendo a compreensão das necessidades de cada um o primeiro passo para uma comunicação eficaz. 

Trabalho no PLATAFORMA há anos, como tradutor e jornalista, cobrindo assuntos de administração interna e relações externas, e ganhei muito com esta experiência. Contudo, esta será a última vez que escrevo como diretor-executivo do jornal. 

Como falante nativo da língua chinesa, uma das minhas missões neste cargo era promover o PLATAFORMA entre a comunidade chinesa. Desde que assumi funções, testemunho cada vez mais interesse dos leitores chineses neste jornal bilíngue. E a comunidade chinesa é importante para o sucesso do projeto. 

Para compreender um mundo com o qual não estamos familiarizados, é necessário ver de outro ângulo.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os meus excelentíssimos colegas pela sua contribuição e dedicação ao jornal, tanto os que continuam a fazer parte da equipa, como aqueles que escolheram um novo caminho. 

Primeiro, quero agradecer ao diretor-geral, Paulo Rego, e à administradora, Alexandra Lemos, por esta valiosa oportunidade. Em segundo lugar, expresso também a minha profunda gratidão aos três colegas responsáveis pela redação, Guilherme Rego, Meimei Wong e Johnson Chao, pois sem eles não seria possível publicar semanalmente este jornal. Gostava ainda de manifestar o meu agradecimento ao Nuno Ferraria, responsável pelos projetos de Marketing, por garantir os recursos financeiros necessários para manter a operação da empresa, e a toda a equipa de tradução, distribuição, paginação e design gráfico. Claro que não me esqueço de todas as entidades apoiantes, setores públicos, associações, e clientes empresariais envolvidos. Há muitos mais a quem agradecer ao longo de todo o percurso feito. 

Apesar de terminar o meu caminho neste jornal, não significa que irei desaparecer. Como uma fénix renasce das suas próprias cinzas, irei continuar a trabalhar na esfera jornalística. Apenas mudarei de posição, e continuarei a colaborar com o PLATAFORMA no futuro.   

Tal como disse no início, para compreender um mundo com o qual não estamos familiarizados, é necessário ver de outro ângulo. Talvez, numa nova ótica e posição, seja possível encontrar uma paisagem ainda mais encantadora. 

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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