China tem dificuldades em substituir o carvão - Plataforma Media

China tem dificuldades em substituir o carvão

Apesar da China ter anunciado que irá atingir o pico de carbono até 2030 e a neutralidade de carbono até 2060, ainda constrói mais centrais elétricas alimentadas a carvão do que o resto do mundo combinado, com cerca de 60 por cento da economia energética nacional ainda dependente desta fonte. 

Só no ano passado, a China colocou em funcionamento 38,4 gigawatts de energia a carvão – mais do triplo do que foi colocado a nível mundial. 

“Até agora, os planos anunciados não dão uma resposta clara sobre como a China pode assegurar um fornecimento estável de energia sem depender do combustível fóssil”, disse Li Shuo, conselheiro de política climática da Greenpeace China. 

Os reguladores económicos também temem um corte demasiado rápido com o carvão, uma vez que este poderia paralisar o crescimento. Durante os últimos seis meses, vários polos industriais na segunda maior economia do mundo foram atingidos pelos piores apagões registados esta década, dado que as importações de carvão sofreram com a pandemia. 

Mais de um terço dos seis milhões de mineiros de carvão chineses perderam o emprego entre 2013 e 2020 quando as minas antigas foram encerradas, revelou um inquérito da Academia Chinesa de Ciências Sociais. O medo do desemprego em massa forçou os reguladores económicos de topo a parar os planos para reduzir as emissões. 

Acontece que a maior parte da energia eólica, solar e hídrica da China é produzida nas regiões mais ocidentais do país. A falta de linhas elétricas com ligação às fábricas no oriente forçou os produtores de energia renovável a interromper a produção durante meses.  

A State Grid – principal fornecedor de serviços públicos do país – disse ter investido mais de 45 mil milhões de dólares nos últimos cinco anos para ligar fontes de energia renovável à rede nacional e construir instalações de armazenamento de energia para garantir que a mesma não seja desperdiçada. Mas ainda existe um descompasso entre a oferta e a procura. 

A China lançou o tão antecipado sistema de comércio de emissões em julho, mas o preço de uma tonelada métrica de carbono é inferior a 7 dólares – muito abaixo dos 70 dólares praticados pela Europa. 

Os analistas avisaram que este preço não seria suficientemente elevado para forçar os grandes poluidores a agir. O mercado cobre atualmente 2.162 grandes produtores de energia, que geram cerca de um sétimo das emissões globais de carbono. Porém, os reguladores deram demasiadas licenças gratuitas para poluir, fazendo baixar o preço do carbono, disse Yan Qin, um analista da Refinitiv, numa nota de investigação. 

As quotas energéticas estão a forçar as empresas de serviços públicos a comprar mais eletricidade a carvão, apesar das energias renováveis serem mais baratas. Os esforços para alterar ou abolir este sistema de quotas estagnaram durante quase dez anos, devido à pressão das províncias com elevado teor de carvão. 

“O sistema significa que a produção de energia a carvão na China é quase livre de riscos”, disse Yuan Jiahai, professor na Universidade de Energia Elétrica do Norte da China, em Pequim. “Assim, os governos e indústrias locais estão a apressar-se a construir novas capacidades de produção de carvão antes da data limite para o pico das emissões”, conclui. 

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