As bolsas mundiais registaram maioritariamente quedas na quinta-feira (23), recuando após os ganhos recentes, numa altura em que os investidores moderaram o optimismo quanto a um fim rápido da guerra no Médio Oriente. O contrato internacional de referência do petróleo, o Brent do Mar do Norte, voltou a subir acima dos 100 dólares (85,6 euros) por barril, reavivando receios de inflação generalizada que poderá afetar o crescimento económico a nível global.
Os principais índices de Wall Street encerraram em baixa após uma sessão volátil, acompanhando a tendência de recuo verificada na maioria dos mercados europeus e asiáticos.
Os investidores norte-americanos mostraram-se mais preocupados com os elevados preços do petróleo do que nos dias anteriores, afirmou Art Hogan, da B. Riley Wealth Management, sublinhando que o mercado tem estado em alta desde o final de março. “Continua a haver um braço-de-ferro entre os fundamentais, com resultados empresariais acima do esperado e o facto de as notícias vindas do Estreito de Ormuz não estarem a evoluir de forma positiva”, disse Hogan.
Apesar da extensão de um frágil cessar-fogo, os Estados Unidos e o Irão continuam longe de retomar negociações de paz duradouras. O Irão afirmou que não reabrirá o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio aos seus portos.
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A subida dos preços da energia tem afetado economias em todo o mundo, embora os mercados acionistas tenham recuperado, em grande parte, das perdas provocadas pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão no final de fevereiro.
Os sólidos resultados empresariais do primeiro trimestre e o entusiasmo em torno da inteligência artificial têm sustentado as bolsas, mas os analistas alertam que um conflito prolongado no Médio Oriente poderá abalar rapidamente a confiança.
A atividade empresarial na zona euro contraiu em abril pela primeira vez em 16 meses, com o aumento dos preços da energia e as perturbações nas cadeias de abastecimento globais causadas pela guerra no Médio Oriente, segundo o índice PMI (Índice de Gerentes de Compras) preliminar da S&P Global.
“A zona euro enfrenta crescentes dificuldades económicas devido à guerra no Médio Oriente, o que representa um grande desafio para os decisores políticos”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe da S&P. “O conflito empurrou a economia para uma contração em abril, ao mesmo tempo que fez disparar a inflação.”
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Ainda assim, o índice CAC 40 (índice que reúne as 40 maiores empresas cotadas em França) registou ganhos, impulsionado sobretudo pela gigante de cosméticos L’Oréal, cujas ações subiram após anunciar um aumento de 3.6% nas vendas, apoiado pelo crescimento nos segmentos profissional e dermatológico.
A Meta planeia reduzir cerca de 10% da sua força de trabalho, o equivalente a cerca de 8.000 postos, além de deixar outras vagas por preencher no próximo mês, segundo uma fonte citada pela agência France-Presse (AFP). As ações caíram 2.3%. Os resultados mais recentes das empresas norte-americanas tiveram uma recepção mista nos mercados. A Tesla caiu 3.6% e a Lockheed Martin recuou 4.7%, enquanto a American Airlines subiu 2.4%.
Na Ásia, Seul contrariou a tendência negativa e atingiu um máximo histórico, impulsionada por uma nova valorização do sector tecnológico, que tem sustentado a subida do índice Kospi este ano.