A atitude chinesa em relação às medalhas de ouro mudou - Plataforma Media

A atitude chinesa em relação às medalhas de ouro mudou

Uma verdadeira potência no desporto é uma nação que, não só consegue vencer em diversas modalidades, mas também cuja população mantém um espírito inclusivo. O desempenho da equipa olímpica chinesa nestes Jogos Olímpicos irá deixar uma memória viva em toda a população, não só quando receberam uma medalha de ouro, mas principalmente quando não o conseguiram fazer. Não estou a dizer que os chineses não mostraram entusiasmo por estas vitórias. Se agora a China vencesse o campeonato mundial de futebol ou se um chinês ganhasse a corrida dos 100 metros, o fervor da população iria atingir o pico. Quan Hongchan é um exemplo de tal. A natural de Zhanjiang, com apenas 14 anos, depois de vencer uma medalha de ouro na sua primeira competição internacional, com um recorde mundial, continua a receber mensagens de parabéns na sua terra natal. Porém, ao contrário do passado, tem havido poucas críticas públicas a atletas que não conseguem trazer para casa a medalha de ouro.  

A população parece agora ter consciência que, para vencer uma medalha de ouro, é preciso ter também sorte e não apenas capacidade. O público, como é natural, anseia por medalhas, pelo primeiro lugar, por ver a bandeira nacional içada e ouvir o seu hino, no entanto, devemos aceitar a realidade e respeitar o status quo. Não devemos tratar os atletas como deuses apenas pelos sucessos conquistados e recusar aceitar os seus erros. Um herói não merece ir para o inferno por uma única derrota. Os atletas são seres humanos e deram o seu melhor. Devemos honrar aqueles que trouxeram glória à nossa nação, que voltaram com medalhas, e abraçar os que abandonaram a competição em silêncio, os que se magoaram e os que perderam. No final de contas, todos lutaram por nós, todos foram mais corajosos do que nós. Lembro-me de quando um repórter estrangeiro perguntou a Lang Ping o porquê de os chineses darem tanto valor a estas vitórias, e a atleta respondeu: “Porque ainda não somos suficientemente fortes internamente, quando conseguirmos possuir essa força, então já não iremos ver a vitória como a única parte importante do jogo.” E é verdade, as pessoas já não se importam com uma ou duas medalhas de ouro, o desporto serve agora para trazer felicidade e prazer, tudo devido à crescente confiança nacional do país. Somos fortes e acreditamos na nossa força económica e cultural. Atualmente, os chineses dão mais valor ao verdadeiro significado do desporto do que às medalhas ou opiniões de fora. Queremos ser uma potência desportiva e, para atingir isso, é preciso aliar um grupo de excelentes atletas à diversidade. Avaliando pela atitude chinesa em relação às medalhas nestes Jogos Olímpicos de Tóquio, a China está a livrar-se da sua história de tragédia, regressando às dinastias Tang e Han – períodos dinâmicos, de evolução constante e disciplina. Foi esta a mensagem que os nossos antepassados nos deixaram. Não precisamos dos outros para provar o nosso valor.  

*Editor Senior do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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