A bela e o arco-íris

A bela e o arco-íris

Em pleno século XXI há na Europa um país que trata a homossexualidade como se fosse uma peste contagiosa, que quer proibir, condenar, perseguir e agredir… No mundo do futebol há um “estado” paralelo, formalmente menor que os outros, mas que impõe a sua ordem como se fosse a maior, imune à lei do tempos e das nações… cego e desumano.

Resumindo: a Hungria recusa ver luzes da cor do arco-íris em Munique; a UEFA concorda e proíbe; a Alemanha mete as luzes no saco e distrai o povo… a ver o jogo da bola. “Graças a Deus”, exclama o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, que merece o insulto do herege.

Viola-se o direito à diferença, discrimina-se, interfere-se na liberdade de uns, em nome dos dogmas dos outros…. O que mais assusta é o anacronismo e a violência mental que se eterniza num mundo em que parte dos homens continua a impor aos outros a sua própria mania de convicção, em nome seja lá do que for. Mesmo quando em causa estão opções individuais que nem sequer afetam alguém. Há temas em que a liberdade dos outros pode, em teoria, afetar a vida de alguém, a liberdade de outrem, direitos individuais ou coletivos… Nesses contextos, já o debate merece ponderação. Mas quando as opções dos outros nada têm a ver com as nossas vidas…. nem sequer criticar faz sentido, quanto mais impedir ou impor seja lá o que for. A discussão presumia-se ser já estéril, por estar mais do que feita e entendida – afinal não é assim.

O que mais assusta é o anacronismo e a violência mental que se eterniza

Só pode correr mal este mundo feito de conflito estéril, inútil, desumano. Os problemas sérios e complexos – mais que muitos – precisam é de diálogo, tolerância e compaixão. Mas se até o arco-íris é monstro, não há história que possa ser bela.

*Diretor-Geral do Plataforma

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