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Mudança no poder de influência da China

Dinis ChanDinis Chan*

Ao longo de todo o desenvolvimento da iniciativa Uma Faixa Uma Rota, a Hungria e a Sérvia têm sido alguns dos aliados mais importantes da China na Europa. Como estado-membro da União Europeia, a Hungria tem até sido porta-voz da China em algumas instituições europeias.

Recentemente, a UE tem demonstrado cada vez mais preocupação em relação a Hong Kong, emitindo uma série de comunicados diplomáticos. O atual mecanismo da UE possibilita que um estado-membro seja capaz de vetar qualquer medida com apenas um voto.

A Hungria, tirando partido desta norma, já vetou três resoluções europeias, claramente para proteger os interesses chineses e evitar humilhação diplomática para o país. Esta decisão enfureceu a Alemanha, que lidera a organização europeia, começando a discutir com os restantes estados-membro a possibilidade de revisão da regra e evitar os mesmos erros da Liga das Nações. Por outro lado, na Hungria, a relação do país com a China também está a gerar discussão.

O Governo da Hungria queria que a Universidade de Fudan, uma das mais prestigiadas da China, criasse um campus na capital, Budapeste. O município de Budapeste, todavia, demonstrou relutância, mudando até o nome de uma rua perto do local em referência a um tópico altamente sensível para a China, numa tentativa de enfurecer o país. No passado fim-de-semana algumas pessoas saíram à rua em protesto, exigindo que seja interrompida de imediato a construção do campus. O Governo foi assim obrigado a mudar a posição e afirmou ainda não ter finalizado a decisão.

Através da Uma Faixa Uma Rota, a China espera ter uma influência maior no mundo político europeu, mas mesmo com a Hungria como importante aliado dentro da UE, o poder da China está limitado pelo Governo húngaro. Se as autoridades locais e a população da Hungria não confiam ainda na China, muito menos o farão outras nações que nunca tiveram uma relação próxima com o país. Se a China quer de facto fazer crescer a influência no mundo europeu, deve primeiro conquistar o apoio da população geral do continente, especialmente através dos seus valores e decisões diplomáticas, podendo assim transformar-se numa grande potência.

*Diretor Executivo do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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