Análise dos Censos chineses

Análise dos Censos chineses

A população chinesa atingiu os 1,411 mil milhões, indicam dados do 7.º censo no país, anunciados esta semana. Em comparação com os números do 6.º censo, realizado em 2010, a população cresceu em 72,06 milhões de pessoas, 5,38 por cento, a uma taxa anual de 0,53 por cento. Estes novos números apontam também a China como o país com a maior população do mundo. Que outras mudanças, caraterísticas e tendências revelam estes dados? Quais as oportunidades e desafios que iremos enfrentar?

“Descidas e subidas” refletem as novas tendências de desenvolvimento da população

Ning Jizhe, chefe adjunto da equipa do Conselho de Estado responsável pelo censo e diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, afirma que os resultados revelam as atuais condições de vida da população chinesa, assim como as tendências de desenvolvimento ao longo dos últimos 10 anos.

Em termos de população, a taxa de crescimento diminuiu, no entanto continua a haver aumento significativo. Em 2020, a China continuou a ser o país com a maior população do mundo, com 1,411 mil milhões de pessoas, representando 18 por cento da população mundial. Ao longo da última década a população chinesa cresceu a uma taxa anual de 0,53 por cento, uma pequena descida relativamente aos 0,57 por cento da década anterior.

Avaliando a qualidade de vida da população, o nível de educação melhorou significativamente, assim como a respetiva qualidade. A média de anos no sistema escolar registada entre a população com mais de 15 anos cresceu dos 9,8 anos, em 2010, para 9,91 anos. Já a média de anos de escolaridade para a população ativa entre os 16 e 59 anos cresceu desde os 9,67 anos, no 6-º censo, para uns atuais 10.75 anos. A taxa de analfabetismo para este mesmo grupo desceu também dos 4,08 por cento, em 2010, para 2,67 por cento. A China possui agora mais de 218 milhões de pessoas com formação no ensino superior.

A proporção da população que cuida de crianças também cresceu. O número de crianças entre os 0 e 14 anos de idade cresceu para os 30,92 milhões desde 2019, com uma taxa de 1,35 por cento de crescimento.

Também foram registadas algumas mudanças na distribuição da população entre áreas rurais e urbanas, com um crescimento da população urbana. Durante os 10 anos – 2010-2020 –, os residentes permanentes em zonas urbanas cresceram em 236 milhões e a taxa de urbanização cresceu em 14,21 por cento.

Dividendo populacional proporciona um desenvolvimento de qualidade

“A China possui uma mão-de-obra rica, com um dividendo populacional ainda relevante”, assinala Ning Jizhe.

Os dados dos Censos mostram que a China possui uma população ativa de 880 milhões de pessoas, com idades entre os 16 e os 59 anos. O país é rico em mão-de-obra, com uma idade média de 38,8 anos, provando a existência do respetivo dividendo populacional.

Feng Wenmeng, especialista do Departamento de Investigação sobre Desenvolvimento Social do Centro de Estudo de Desenvolvimento do Conselho de Estado, refere que a economia chinesa terminou a fase de crescimento a alta velocidade, passando para um crescimento qualitativo. Com uma população ativa tão grande, as vantagens do dividendo populacional estão a tornar-se cada vez mais óbvias, refletindo-se nos níveis de educação e saúde da população.

Ao longo dos últimos 10 anos, a população da China cresceu em 72,06 milhões, com uma pequena descida relativamente ao crescimento de 73,9 milhões da década anterior.

Ning Jizhe afirma que a China conta atualmente com 300 milhões de mulheres em idade fértil, podendo garantir o crescimento da população em 10 milhões anuais.

Promoção de um crescimento equilibrado a longo prazo

Ning Jizhe destaca ainda que o número de segundos filhos cresceu, desde 30 por cento em 2013 para 50 por cento em 2017, porém a taxa de natalidade desceu. Em 2020, a taxa de fecundidade para mulheres em idade fértil é de 1.3, um número considerado baixo.

A criação de um ambiente positivo para a criação e educação de filhos sem preocupações é algo a ter em atenção no futuro próximo.

Os resultados dos Censos revelam que a população com mais de 60 anos representa 18,70 por cento da China, e 13,50 por cento para a população com mais de 65 anos de idade. Entre 2010 e 2020, a população com mais de 60 anos aumentou em 5,44 por cento, e a população com mais de 65 anos em 4,63 por cento.

Segundo a análise de Ning Jizhe, o envelhecimento da população irá reduzir o número de mão-de-obra no país, aumentando o fardo sobre as famílias e os serviços públicos para cuidados de idosos. No entanto, se a “silver economy” (serviços destinados à 3ª idade) for desenvolvida, poderão ser criados mais produtos e serviços para este grupo e promovido o progresso tecnológico.

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