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Não devemos colocar os EUA e o Ocidente num pedestal

David ChanDavid Chan*

Durante muito tempo, a China e os chineses, em vias de rejuvenescimento, guardavam uma certa ilusão sobre o mundo ocidental: muitos acreditavam que ao mostrar aos EUA que não existia qualquer busca pela hegemonia mundial, o país seria amigável. Acreditavam que bastaria mostrar benevolência para com a União Europeia para receber o seu respeito. Bastaria demonstrar uma atitude cordial para com o mundo ocidental, e o tratamento seria reciproco.

Porém, com a falta de civismo dos EUA, Europa e restantes nações ocidentais, esta ideia chinesa revela-se uma ilusão. Além de culturas diferentes, possuímos também pensamentos distintos. “Sobrestimámos-vos ”, foi a frase utilizada por Yang Jiechi, diplomata chinês, sobre os EUA.

No dia 18 de abril, a delegação de Yang Jiechi representou a China numa reunião entre os dois países. O grupo adotou uma atitude de honestidade e tentou resolver os conflitos e divergências com os EUA, porém, mal chegaram depararam-se com a má vontade do lado norte-americano. Complicando toda a situação para a delegação chinesa, os EUA quebraram propositadamente o protocolo de discussão, provocando o lado chinês ao ultrapassarem o tempo estipulado para o início da reunião, seguindo-se uma série de ataques às políticas nacionais e internacionais da China, com uma atitude arrogante e linguagem vulgar que enfureceu a população. Foi aqui que a delegação de Yang Jiechi, indignada com tal tratamento, exclamou: “Sobrestimámos-vos”.

Há muito que a China e os chineses têm colocado os EUA num pedestal. A Huawei cometeu o mesmo erro há uns anos atrás. Investiu uma grande quantia para entrar no mercado americano, assinou até parcerias com operadoras americanas, porém, um dia antes de finalizarem o negócio, os EUA cancelaram o contrato e expulsaram a Huawei, seguindo-se a detenção de Meng Wanzhou e uma série de sanções sobre a empresa. Os chineses esperavam que os EUA, país de mercado livre, respeitasse contratos como este, mas foram constantemente desiludidos, e os chineses, inerentemente benevolentes, continuam a acreditar no país.

No início do ano de 2020, os EUA foram o primeiro país a utilizar a pandemia para criticar a China. Aproveitaram-se do período epidémico na China para tomar uma série de ações de controlo sobre o país, doando também 100 milhões de dólares por forma a manipular as emoções dos chineses. A China, pelo contrário, tal como tem feito até agora, continua a manter uma atitude amigável. A verdade é que a China e os chineses esperam demasiado dos EUA e do Ocidente, acabando por sofrer. Estes têm constantemente criado mentiras e rumores relacionados com o país e imposto sanções para travar o crescimento chinês. A China tem de largar esta ilusão ou irá novamente sair a perder.

*Editor Senior

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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