Cerca de 60% das empresas registadas em Timor-Leste cessaram atividade devido à crise - Plataforma Media

Cerca de 60% das empresas registadas em Timor-Leste cessaram atividade devido à crise

Cerca de 60% das 31.500 empresas registadas em Timor-Leste cessaram atividade nos últimos dois anos devido à crise económica que assola o país.

Só em 2020, 64 empresas, a maioria detidas por estrangeiros, fecharam as operações na sua totalidade, segundo dados oficiais.

“É uma situação dramática e com grande impacto no país e na vida de muitas pessoas. E algo que está a fazer a economia do país regredir significativamente”, disse à Lusa o diretor do Serviço de Verificação Empresarial (SERVE), Florêncio Sanches.

Entre os setores mais afetados estão a construção – que representa mais de 40% das empresas que fecharam -, hotelaria, restauração e turismo, bem como outras empresas de fornecimento de serviços.

“O ano passado foi um ano de grande desafio para as empresas, primeiro devido à situação política e depois devido à covid-19, que fizeram sofrer investidores e donos de empresas”, explicou Sanches.

Uma situação que se evidenciou não apenas pelo número de empresas que cessaram atividade, mas igualmente pelas cerca de 100 que fizeram o pedido de fecho permanente.

“Ver cessar atividade de 10% já seria muito, mas agora em Timor-Leste só 40% das empresas registadas estão em atividade. Isso é dramático”, considerou.

O responsável do SERVE explica que a instituição tentou encorajar algumas a não fechar e a cessar apenas a sua atividade, “à espera de que a situação económica possa melhorar”.

“Isso levou a que apenas 64 empresas tenham fechado permanentemente. Mais de 90% dessas empresas detidas por estrangeiros”, sublinhou.

“O maior impacto foi no setor da construção, com a falta de projeto”, referiu, explicando que o impacto a nível de empregos e rendimentos foi muito significativo.

Sanches considera que é essencial que o Governo dê atenção às dificuldades do setor privado, inclusive procurando alternativas que melhorem o acesso ao crédito e, no caso de investidores internacionais, que criem melhor ambiente de negócios.

“Temos de considerar isto um dos maiores problemas que enfrentamos. Encorajamos o Governo e os decisores políticos a que apoiem as empresas. Os negócios timorenses, em particular, precisam de acesso a capital, a crédito”, sublinhou.

“E no caso de estrangeiros, há que melhorar as condições de negócios, harmonizando leis de imigração, de investimento e corrigindo dificuldades com acesso a terra, renda e os elevados preços da eletricidade”, frisou.

Questionado sobre a situação económica, Rui Gomes, ministro das Finanças, disse que o país vive uma situação parecida à do resto do mundo, estando a tentar recuperar “de uma das maiores crises mundiais de sempre”.

“As estimativas apontam para que este ano se regresse ao crescimento, o que estará necessariamente dependente do evoluir da situação do COVID-19. Mas o início da execução orçamental a 1 de janeiro sem problemas de maior é um indicador positivo”, considerou o também economista.

“É certo que o setor privado vai ressentir-se até conseguirmos voltar à normalidade, mas isso depende de fatores que o Governo não controla. Contudo, o aumento do investimento público deve garantir que a retoma aconteça este ano”, sublinhou.

Rui Gomes relembrou que o Plano de Recuperação Económica e o Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano já tiveram em conta a eventualidade do arrastar da situação da pandemia, do estado de emergência e dos impactos económicos.

“Claro que quanto mais rápido a situação do Covid melhorar mais rápida será a retoma, mas a maior parte das medidas previstas no OGE não são afetadas pelo estado de emergência, pelo que continuamos a esperar que o investimento programado resulta numa melhoria da economia em 2021”, sustentou.

Recorde-se que o impacto de uma longa crise política e posteriormente a pandemia, levaram a que o Produto Interno Bruto (PIB) do país tenha contraído em três dos últimos quatro anos.

O cenário mais otimista aponta a que as medidas do novo Plano de Recuperação Económica (PRE), a par de uma execução mais elevada do Estado (sem os constrangimentos do regime duodecimal com que viveu em 2020), ajudem a fazer crescer a economia mais de 3%.

Mesmo que se confirme, esse valor não permitirá corrigir as quedas verificadas nos últimos anos.

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