Quem tem medo da “Sindemia”? - Plataforma Media

Quem tem medo da “Sindemia”?

O ano de 2021 ainda será marcado pela Pandemia mas, mais do que isso, será sobretudo marcado pela “Sindemia” (Sinergia+Pandemia). O termo data de 1990 e foi usado pelo antropólogo médico Merril Singer.

A batalha que teremos pela frente não tem apenas a ver com a questão sanitária. Pode ser que nessa a vacina dê uma ajuda. O que o ano vai provar é que a Pandemia terá componentes sociais, económicas e psicológicas difíceis de combater.

A situação em que vivíamos é de maior fragilidade do que aquela que poderíamos supor. Afinal neste mundo 1% da população controla a maior parte da riqueza e enquanto assim for as Pandemias serão “Sindemias”.

A vacina destina-se a combater os efeitos da doença e não os defeitos da humanidade.

A fragilidade dos mais idosos, das comunidades minoritárias, de quem vive em bairros e condições degradadas, da maior parte dos trabalhadores mal pagos amplificará os problemas de saúde. Os que já existiam e os que a Pandemia revelou.

Por muito eficaz que possa ser a vacina – espero que sim – tentar que ela seja responsável pela cura de todos os problemas, não poderá funcionar. A vacina destina-se a combater os efeitos da doença e não os defeitos da humanidade.

Se a partir de agora os governos não beneficiarem e apostarem em políticas e programas que possam diminuir as disparidades, a Pandemia instala-se e fica.

Enfrentar o estado a que chegamos implica assumir a “Sindemia” como uma receita que implica tratar do estado de saúde do ambiente, da educação, da segurança, do emprego e também dos idosos. Eles foram as principais vítimas em 2020…nós não queremos estar no lugar deles, um destes anos.

*Diretor executivo do Plataforma

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