A Polícia Federal do Brasil deteve hoje o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro na compra do Banco Master.
A detenção faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de desvio de recursos do Master por meio de operações multimilionárias envolvendo compras de carteiras fraudulentas.
Os investigadores identificaram que o executivo do banco público teria recebido seis imóveis de luxo avaliados em 146 milhões de reais (24,7 milhões de euros) para contornar as regras internas do BRB, ao permitir negócios com o Master sem garantias.
Em declaração à imprensa local, a defesa do ex-presidente do BRB considerou a prisão “desnecessária” e afirmou que vai examinar a decisão para tomar providências.
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Segundo a PF, o BRB realizou operações inconsistentes com o Banco Master na tentativa de dar alívio à instituição financeira de Daniel Vorcaro, enquanto o Banco Central (BC) brasileiro analisava a proposta de venda do banco.
Paulo Henrique Costa chegou à presidência do BRB em 2019 e conduziu a tentativa de compra do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.
O executivo foi afastado do comando do banco público por decisão judicial e acabou demitido em novembro pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a primeira fase da operação da PF.
Quem também foi alvo de prisão hoje foi o advogado Daniel Monteiro, apontado pelos investigadores como “arquiteto jurídico” e homem de confiança de Daniel Vorcaro, o dono do Master.
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O advogado foi quem representou o Master em negociações com o BRB.
Monteiro era responsável pela administração dos fundos e contas que Vorcaro alegadamente usou para desviar os recursos do próprio Banco Master para subornar políticos e autoridades.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente e negoceia um acordo de colaboração judicial para confessar a sua responsabilidade nessas irregularidades e identificar os cúmplices.
O possível acordo tem gerado grande expetativa, dado que as investigações apontam para relações suspeitas de Vorcaro com diversos políticos e até com membros do Supremo Tribunal Federal (STF).