Lojas, restaurantes e hotéis fechados são o rosto da pandemia

Lojas, restaurantes e hotéis fechados são o rosto da pandemia

Despedimentos, lojas, restaurantes e hotéis fechados – muitos permanentemente – são o rosto visível da queda da economia timorense, este ano, que instituições, como o Banco Mundial, estimam irá recuar, pelo menos, 6,8 por cento, comparativamente a 2019.

Os efeitos imediatos da pandemia que, no caso de Timor-Leste fizeram adensar a grave situação económica que o país já vivia, fruto de crises e tensões políticas que se materializaram em longos períodos de vida em regime de duodécimos (este ano foram 10 meses sem Orçamento do Estado).

Ainda que o Governo tenha implementado um primeiro pacote de apoios a empresas – numa tentativa de minimizar os efeitos da pandemia no emprego –, e apesar de uma nova ronda de apoio estar já a começar a ser executada, muitas empresas não aguentaram.

O país está praticamente fechado ao exterior, houve uma debandada de estrangeiros – milhares de pessoas que ajudavam a dinamizar o setor de bens e serviços da ainda débil economia local – e quem ficou está a consumir menos.

Empresários falam de quedas nas receitas que ultrapassam os 50 por cento – em alguns casos como os hotéis a ocupação caiu para zero – e de uma retoma muito ténue que, se tudo correr como previsto, pode ser acelerada na reta final deste ano, mas, principalmente no início de 2021.

O Parlamento Nacional está a debater o maior Orçamento Geral do Estado (OGE) de sempre e com o Estado a ser o maior motor da economia, esse valor poderá injetar o dinamismo necessário à retoma.

Os setores de hotelaria e restauração estão entre os mais afetados pelos efeitos da pandemia da covid-19 em Timor-Leste, com várias unidades fechadas em definitivo ou temporariamente no país desde o início do ano.

“Caímos para uma taxa de ocupação de zero de um dia para o outro. Ainda tentamos manter o restaurante aberto, fechando o hotel, mas depois tudo se tornou mais complicado, com muitas perdas e tivemos de fechar”, explica Samitha Aluwihare, CEO do East Timor Trading Group (ETTG), donos de um dos hotéis que fechou, o Discovery Inn.

Dados do Banco Mundial apontam para uma queda na chegada de passageiros de mais de 60 por cento este ano, com o país praticamente fechado sem voos comerciais e fortes restrições nas entradas.

O ETTG detém ainda a franchise do Burger King no país – a única marca internacional de comida rápida a operar em Timor-Leste –, tendo desde março fechado duas das suas quatro lojas, resultado de uma queda de cerca de 40 por cento nas vendas.

O Discovery Inn foi um dos mais recentes a fechar as portas de um setor que nos últimos meses viu já vários encerramentos permanentes ou temporários de instalações de maior ou menor dimensão, a que se somam muitos restaurantes.

Com 20 anos de experiência em Timor-Leste, o ETTG conhece bem os desafios do país para investidores internacionais.

Montar um negócio continua a exigir muitas visitas a Timor-Leste, custos legais para tratar de toda a complexa burocracia e problemas como a incerteza sobre a terra ou os elevados custos de operação – a eletricidade, por exemplo, é um lastro pesado para o setor hoteleiro e de restauração.

Hoje a empresa considera que o país deve procurar melhorar a produtividade, inclusive com descontos em custos operacionais elevados como a eletricidade ou por ajustes nos preços de rendas e aluguer de terrenos.

“Em termos de eletricidade, no setor da hospitalidade, por exemplo, os preços estão muito inflacionados e isso afeta a capacidade de venda porque obriga a ter preços mais elevados”, afirma Samitha Aluwihare.

Ao mesmo tempo, e já a pensar no cenário pós-pandemia a CEO do East Timor Trading Group defende uma aposta na promoção de Timor-Leste, mostrando o país e o respetivo potencial, especialmente no mercado australiano que não sabe que já pode acolher turistas.

O setor privado aplaude os apoios que já foram dados, mas continua a lamentar não serem suficientes, apontando a necessidade de perdão ou redução de impostos, de bonificações no custo particularmente elevado da eletricidade ou outras medidas que ajudem as empresas a sobreviver.

Espera igualmente que num cenário não muito demorado o país possa voltar a abrir portas, permitindo o regresso de muitos, a retoma de projetos que têm estado fortemente condicionados, assim como o regresso ao consumo.

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