Polícia de Hong Kong cria linha direta para residentes denunciarem-se uns aos outros - Plataforma Media

Polícia de Hong Kong cria linha direta para residentes denunciarem-se uns aos outros

Mais de mil denúncias foram efetuadas no primeiro dia de operação

A polícia de Hong Kong lançou uma linha direta para os residentes do território denunciarem anonimamente qualquer pessoa que achem ter violado a nova lei de segurança nacional.

Os críticos dizem que a medida tem ecos perturbadores de métodos de vigilância usados ​​na China continental e vai aprofundar as divisões na cidade, podendo até ser explorada por indivíduos que tentam acertar contas pessoais, comerciais ou políticas, por vingança.

O sistema permite que as pessoas enviem denúncias por vídeo, arquivos de áudio e fotos, sem com isso compartilhar dados pessoais. Mais de mil denúncias foram efetuadas no primeiro dia de operação, relatou o jornal South China Morning Post (SCMP).

O sistema “reproduz o modelo do Partido Comunista Chinês de contar com informantes de base”, apontou Maya Wang, investigadora da Human Rights Watch, no Twitter.

As autoridades de Hong Kong disseram que a lei apresentada por Pequim em junho afetaria apenas uma “pequena minoria que colocaria em risco a segurança nacional”, mas já foi usada para atingir políticos, ativistas e académicos pró-democracia, bem como para restringir protestos.

O deputado do Partido Democrata, James To, disse que a linha pode destruir uma cidade já dividida e é desnecessária quando a unidade de segurança nacional existente já tem poderes “brutais”. “Será um duro golpe para a liberdade em Hong Kong e minará a confiança entre as pessoas”, afirmou à emissora local RTHK.

Também atisvista estudantil Joshua Wong teceu comentários sobre a nova medida referindo que a linha “carrega ecos perturbadores de um dos períodos mais turbulentos da China continental, a Revolução Cultural das décadas de 1960 e 1970”. “Então, vizinhos, colegas e até famílias foram encorajados a denunciar-se uns aos outros, com consequências devastadoras e às vezes mortais”, concluiu.

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