Num relatório de análise comportamental divulgado pelo FBI, os investigadores descrevem um padrão de atuação marcado por uma leitura simbólica dos alvos. Segundo o documento, Cláudio associava instituições e pessoas a episódios da sua própria trajetória de frustração, insucesso académico e sentimento de exclusão, construindo ao longo dos anos uma narrativa interna de agravamento da sua perceção de injustiça.
O ataque na Universidade Brown, ocorrido a 13 de dezembro, terá sido planeado durante um longo período, culminando na morte de dois estudantes e em ferimentos em outros nove. Dois dias depois, Nuno Loureiro foi morto na sua residência em Brookline, Massachusetts. O agressor acabaria por ser encontrado morto em New Hampshire, num aparente suicídio após uma operação de busca interestadual.
De acordo com o FBI, Neves Valente vivia em isolamento progressivo, sem rede social ou profissional consistente, o que terá dificultado a deteção de sinais de risco. O relatório sublinha que o indivíduo desenvolveu uma perceção distorcida das suas experiências pessoais, interpretando falhas e rejeições como provas de perseguição ou injustiça estrutural.
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As autoridades descrevem a violência como “altamente simbólica”, defendendo que tanto a universidade como o professor representavam, na visão do autor, marcos da sua própria “queda” e insucesso. Essa construção mental terá sido determinante na seleção dos alvos, segundo os investigadores.
Apesar da tentativa de reconstrução do percurso psicológico do agressor, o FBI admite limitações na interpretação das motivações finais, sublinhando que apenas o próprio poderia explicar integralmente as suas ações.
Após os ataques, foram recuperados vídeos e gravações em que o autor assumia a responsabilidade pelos crimes, sem demonstrar arrependimento e reforçando as queixas já identificadas pelas autoridades. O caso continua a motivar ações judiciais por parte de vítimas sobreviventes, que alegam falhas de prevenção e segurança por parte da universidade.