O recinto ao ar livre no Cotai recebeu, no sábado (2) à noite, um grande festival de K-pop que reuniu cerca de 30 mil fãs, atraídos por um cartaz com artistas de renome da Coreia do Sul, como G-Dragon, DAESUNG, KISS OF LIFE, P1Harmony e KiiiKiii. O evento, integrado no período de férias do Dia do Trabalhador, trouxe público de várias regiões, sobretudo do Interior da China e da Grande Baía.
A organização classificou o concerto como um sucesso, destacando a coordenação entre diferentes entidades e a implementação de medidas logísticas, como autocarros gratuitos e o reforço do Metro Ligeiro, que prolongou o horário e aumentou a frequência das viagens.
Após o espetáculo, registou-se um elevado fluxo de passageiros rumo ao posto fronteiriço de Hengqin, onde, apesar de algum congestionamento temporário, a ordem foi mantida com medidas de controlo por parte da polícia.
No entanto, relatos de espectadores e conteúdos partilhados nas redes sociais apontam para uma realidade distinta, marcada por desorganização, dificuldades no acesso ao recinto e comportamentos inadequados durante o evento. Alguns participantes referiram longos tempos de espera para entrar, falta de orientação clara e situações em que espectadores tentaram avançar para zonas mais próximas do palco.
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“Foi relativamente rápido porque não havia muita gente naquela altura. Mas depois reparei que ficou muito caótico. A entrada tornou-se depois bastante lenta. Durante o concerto, muitas pessoas tentaram passar à frente”, afirmou uma participante numa entrevista à emissora pública TDM. A saída foi também descrita como confusa, embora alguns tenham considerado que ficou aquém das expectativas mais negativas.
Durante o concerto, registaram-se comportamentos que violaram as regras do evento, incluindo pessoas em pé em cima de cadeiras, deslocação de assentos para mais perto do palco e ocupação indevida de lugares reservados, o que prejudicou a visibilidade de outros espectadores. Um vídeo divulgado online mostra ainda momentos de tensão e agressões entre participantes.
Uma fonte citada pela TDM criticou a organização, apontando falhas na sinalização, controlo de acessos e medidas de segurança. “Havia apenas uma entrada e as indicações não eram claras. (…) O fluxo poderia ter causado tumultos. (…) Por que é que não prenderam as cadeiras concorrentes? As medidas de segurança foram ineficazes e prejudicaram os direitos do público”, referiu.
A Federação das Associações dos Operários de Macau considerou que os incidentes evidenciam a necessidade de melhorar a gestão de eventos, sobretudo se a região pretende desenvolver a indústria dos concertos como novo motor económico e turístico. A diretora, Leong Meng Ian, defendeu critérios mais rigorosos na organização e maior intervenção das equipas de segurança em casos de incumprimento das regras.
Experiências de outras regiões mostram que eventos ao ar livre funcionam melhor quando há fiscalização eficaz, incluindo a expulsão de infratores, segundo a mesma responsável. Em Macau, alertou, falhas deste tipo podem comprometer seriamente a experiência do público e a reputação da cidade como destino de grandes espetáculos.