China iniciou o quinto plenário com a economia e a relação com os EUA em foco - Plataforma Media

China iniciou o quinto plenário com a economia e a relação com os EUA em foco

O quinto plenário do Partido Comunista Chinês deu início em Pequim, esta segunda-feira, com o presidente do partido e do país, Xi Jinping, a delinear os grandes objetivos para os próximos cinco anos e o que há para cumprir até 2035

Nos últimos discursos, Xi Jinping tem alertado para a necessidade da China de ser mais autossuficiente, investindo mais na inovação tecnológica doméstica, desenvolvimento de políticas amigas do ambiente e foco no equilíbrio entre o consumo interno e as relações de comércio e investimento no exterior.

O vice-diretor do Instituto Tianda, Junfei Wu, calculou que no fim do ano a economia chinesa represente 72% da dimensão económica norte-americana. Na sua opinião, a China acumulou muita experiência durante a reabertura do país, no contexto atual de pandemia de Covid-19, que está largamente controlada no território. “Não vemos isso a acontecer nos EUA”, evidencia. Wu acredita que “a China vai quebrar o recorde japonês”, que chegou a 71% do PIB dos EUA nos anos 90, antes de colapsar devido às bolhas especulativas e à crise bancária.

A China prepara-se para fazer uma transformação radical no seu setor energético, de maneira a cumprir a meta de neutralidade de carbono até 2060. A utilização de combustiveis fosséis na indústria chinesa continua a ser predominante, correspondendo a 80% de toda a energia consumida em território nacional. “A China precisa de mudar o sistema em 40 anos. É extremamente difícil”, disse Lin Boqiang, diretor do Centro de Energia Económica da China, na universidade de Xiamen.


Um estudo realizado pela Universidade de Tsinghua em setembro, demonstra que a capacidade de produção de energias renováveis teria de aumentar 5% até 2025, atingindo os 20%. Em 2050 teria de ser de 62% e 84% em 2060 para atingir a neutralidade de carbono. Também se debruçou sobre a aplicação de tecnologias de captura, armazenamento e mitigação de carbono.

Esta reunião começa uma semana antes das eleições norte-americanas, que certamente terão um impacto significante nas relações económicas e diplomáticas entre a China e os EUA, que têm deteriorado desde 2018.

Deng Yuwen, antigo editor adjunto do Study Times, um jornal do Partido Comunista, diz que a China prepara-se para uma “guerra prolongada” com os EUA, comparando este período com o que se viveu nas invasões japonesas. Em 1938, Mao Tse Tung disse que a China estaria na defensiva até reunir força suficiente para contra-atacar o Japão. Deng, agora um analista político independente nos EUA, acredita que o próximo plano de cinco anos vai-se focar em preencher as lacunas e fraquezas que o país tem, evitando ao máximo um confronto direto com os EUA. “A China só vai começar o seu contra-ataque quando estiver confiante” de que está em pé de igualdade com os EUA, disse.

O plenário deve emitir um comunicado quando for encerrado na quinta-feira. Fontes bem informadas disseram que os rascunhos do plano de cinco anos, que estabelece as principais metas económicas e políticas, e os objetivos de longo prazo serão divulgados nas próximas semanas e devem ser formalmente aprovados pelo Congresso Nacional do Povo – O principal órgão legislativo da China – em março do próximo ano.

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