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Aprender

Paulo Rego*

A queda do PIB, em Macau e no resto do mundo, é dramática… mas não pode angustiar, no sentido da paralisia, do ataque de pânico – recuo para o abismo.  Não é essa a História do Universo, nem da Humanidade. Dizia uma saudosa alma velha: Tem de ficar muito pior, só depois de apodrecer aprendemos a mudar. Mas há outro caminho: aprender mais rápido, inverter antes do abismo. Foco: saúde pública + economia vital.

Discute-se muito o tamanho da razão: ideologias, egos, dogmas… e muitas manias. Nunca o commum ground – síntese intraduzível – foi tão vital e urgente. De chefes de governo a médicos e cientistas, a todos e cada um de nós… cabe aprender a viver esta circunstância, adotando os comportamentos necessários a cada momento. Caramba! Crescemos com o medo da SIDA e não deixámos de parir crianças… Quanto ao direito ao trabalho, à assistência social, à economia em geral… é pôr o mundo a girar. Não da mesma forma, mas com intensidade, foco e visão de futuro. 

A vacina há-de chegar. Mas isso não chega. A recuperação psicológica, o devir da reconstrução, a consciência social e a energia política têm de se conjugar, em Macau, na China, onde for… Recusar a depressão, o conflito, a ilusão de que guerras e separatismos fazem parte da solução.

Eles andam aí… a perorar o futuro que é deles. Lamento: é uma falsa boa ideia. Pergunta para bingo: como vamos então aprender se recusamos quem nos ensine? Porque essa mudança é estrutural no novo mundo. A partilha do conhecimento, a formação académica e profissional… são cada vez mais centrais. Não é isso que o futuro recusa. É o dogma da razão velha. Pensar é uma coisa; já ditar… Tem razão amigo, mas não vai dar.

Sim; temos todos de aprender: ouvir, pensar, decidir e fazer… a discutir, partilhar. Dar espaço à dúvida, como sabiam os antigos.

Mas também é preciso ter os pés na terra; conduzir a política e difundir meios materiais. Os sistemas de saúde têm de evoluir, os apoios à economia têm de deixar de ser paliativos, envergonhados e seletivos. Assumam-se caminhos, injetem-se meios, formem-se as pessoas e criem-se oportunidades – múltiplas e livres. Uns vão correr o risco e acertar, outros vão segui-los e ganhar; muitos vão simplesmente aguentar; muitos outros vão-se enganar… É da vida. Para esta angústia é que não há pachorra.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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