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Relação de Bissau afirma que nenhum processo contra Aristides Gomes deu ali entrada

O presidente do Tribunal de Relação da Guiné-Bissau, Tijane Djaló, afirmou hoje que nenhum processo-crime contra o ex-primero-ministro Aristides Gomes deu entrada na câmara criminal daquela instituição e muito menos o despacho que aplicou medidas de coação

“O Tribunal de Relação, considera a notícia falsa e infundada, uma vez que até à data presente, nenhum processo-crime contra o cidadão Aristides Gomes deu entrada na Câmara Criminal deste tribunal, muito menos um tal despacho que aplicou medidas de coação contra o cidadão Aristides Gomes, ex-primeiro-ministro”, refere, em comunicado divulgado hoje à imprensa.

No comunicado, o presidente do Tribunal de Relação salienta também que os “processos crimes existentes” este ano naquela instância judicial “não ultrapassam os 15 processos, enquanto o despacho em questão faz referência ao processo 355/2020”.

“Ainda o Gabinete do Presidente do Tribunal de Relação considera que o referido despacho é da responsabilidade de quem o produziu e não da Câmara Criminal do Tribunal de Relação”, acrescenta.

A Lusa teve acesso na terça-feira a um despacho atribuído ao cartório do Ministério Público junto do Tribunal de Relação da Guiné-Bissau, com data de agosto, que aplica a medida de coação de obrigação de permanência a Aristides Gomes por suspeita de participação económica em negócio e peculato e confirmou a veracidade deste documento junto de fonte oficial do Ministério Público.

Na quarta-feira, contactou o Tribunal de Relação, bem como o cartório do Ministério Público para obter mais esclarecimentos sobre o assunto, mas ambos negaram prestar declarações.

A Lusa enviou também um pedido de mais esclarecimentos ao gabinete de Comunicação e de Relações Públicas da Procuradoria-Geral da República da Guiné-Bissau, mas ainda não obteve qualquer resposta.

Em declarações à Lusa na terça-feira, Luís Vaz Martins, do coletivo de advogados que defende Aristides Gomes, disse ter tido acesso ao despacho que aplica medidas de coação e salientou que foi “proferido pelo coordenador da vara crime do Tribunal Regional de Bissau, que não tem competência para esta questão em concreto, com a agravante de ter forjado o papel timbrado do Tribunal de Relação para produzir um despacho da vara crime do Tribunal de Bissau”.

“Este despacho existe e foi elaborado”, acrescentou Luís Vaz Martins.

No dia 19 de agosto, o PGR da Guiné-Bissau, Fernando Gomes, confirmou que o antigo primeiro-ministro guineense estaria indiciado por vários crimes, sem especificar.

Qualquer caso que envolva crimes cometidos pelo primeiro-ministro no exercício de funções governativas, compete à câmara criminal do Tribunal da Relação realizar a investigação.

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