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Macau também quer New Deal

Paulo Rego

O império do Jogo abana no mais profundo dos seus alicerces: a temida corrida à troca de fichas por dinheiro é a consequência da consciência de que China precisa mesmo de refrear a fuga de capitais para fora do país. A pandemia acelera aquilo que há muito se adivinhava, desde a crise de 2008 e a crescente necessidade do regime se virar para dentro, promover o mercado interno e proteger-se, agora, da catástrofe provocada pelo distanciamento social e consequente paralisia económica.

As consequências em Macau são ainda difíceis de medir, uma vez que não é líquido perceber quão forte pode ser a queda do PIB, mantendo apesar de tudo o nível de vida médio da população, pois o superavit era evidentemente muito acima das necessidades. Mas a crise mundial não acabou. Nem vai acabar tão cedo. Em rigor, está de facto a começar. E vai ser profunda; vai doer no osso. 

A Ásia, e a China em particular, que começaram mais cedo o combate, adotando medidas bem mais drásticas do que a Europa e os Estados Unidos, perdem agora tempo na capacidade de inverterem o ciclo económico.

Depois de muitas hesitações, a Europa finalmente percebeu que a obsessão germânica com o controlo da dívida e da inflação caiu de vez por terra… Portugal vai receber, durante dez anos, 6 mil milhões de euros por ano em subsídios europeus para apoio à reconversão económica – três vezes mais do que no período áureo dos fundos estruturais na União Europeia. Mas logo ali ao lado, em Espanha, serão 14 mil milhões por ano, e assim será, à devida proporção, um pouco por toda a União Europa. Ou seja, a realidade impõe-se, dando razão aos “pequenos” e às teses do primeiro-ministro português. Há um novo New Deal a chegar, com efeitos que se esperam fazer sentir, daqui a dois anos, quando os financiamentos que forem aprovados começarem a aterrar na economia real.

Os sinais de abertura das fronteiras, para já aqui nas proximidades provinciais, não resolve a economia de Macau. Nem o PIB volta tão cedo a ser o que era. A questão é a de saber-se, afinal, qual é a alternativa. E onde estão os fundos estruturais, quer se queira quer não, Macau precisa; como a China…

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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