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Professores e diretores temem não haver profissionais para cumprir plano do Governo

Catarina Reis

A pandemia de covid-19 colocou a ênfase noutras fragilidades da classe docente, como o ensino à distância, mas há problemas que continuam vivos entre a comunidade educativa e que podem deitar por terra os planos da tutela para o reforço de professores no próximo ano letivo.

Mais 2500 professores em horário completo é o plano do Governo para garantir a recuperação das aprendizagens junto dos alunos no próximo ano letivo. Feitas as contas, representará um acréscimo de cerca de três docentes por agrupamento, “manifestamente insuficiente” para fazer face às necessidades das escolas no ano que se avizinha, alerta a Federação Nacional dos Professores (Fenprof). O problema maior, contudo, é outro, denunciam professores e diretores: aberto o concurso para a contratação destes docentes, grande parte dos lugares podem ficar vazios, pois “pode não haver professores suficientes” para responder.

“Em muitas regiões do país, pode não ser possível [cumprir o plano da tutela]”, diz Filinto Lima, representante dos diretores de escolas, alertando para os custos de deslocações dos docentes, significativamente mais elevados na região de Lisboa e no Algarve, que têm obrigado vários a desistir das vagas, nos últimos anos. Olhando para a crise sentida na classe, adianta, “pode não haver professores suficientes e corremos o risco de ver um ato de boa vontade do Governo sair furado”.

Uma crise abafada pela pandemia

Ao longo dos últimos anos, somaram-se os concursos para a docência que ficaram praticamente vazios, sem candidatos, abalando o normal funcionamento das escolas. Mais de um mês após o arranque do ano letivo passado, havia turmas sem professores – no Algarve, por exemplo, mais de cinco mil alunos ainda não tinham docentes para assegurar as suas disciplinas. O cenário obrigou a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) a enviar, em janeiro, uma nota às escolas em que denunciava a existência de horários ainda por preencher no início do 2.º período, o que obrigava a “reajustamentos no circuito delineado para a satisfação das necessidades ligadas à docência” de determinadas disciplinas, nomeadamente Português, Inglês, Geografia e Informática.

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