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China sobe a parada contra os Estados Unidos e sanciona gigante do armamento Lockheed Martin

Rute Coelho

Pequim anunciou a imposição de sanções contra o gigante norte-americano do armamento pelo seu papel na venda de armas que Washington acordou com Taiwan

A deterioração das relações entre os Estados Unidos e a China agrava-se de dia para dia. Depois de o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo criticar as pretensões “ilegais” de Pequim no mar do Sul da China, o regime chinês reagiu com sanções inéditas contra a Lockheed Martin, escreve hoje o jornal espanhol El País.

A China anunciou na terça-feira que ia impor sanções à Lockheed Martin por esta ser uma das principais beneficiárias da venda de armamento norte-americano a Taiwan que Washington aprovou na semana passada, através da qual os Estados Unidos modernizarão os mísseis terra-ar taiwaneses numa operação com um custo de 540 milhões de euros.

Na conferência de imprensa convocada por Pequim para anunciar as retaliações, o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, instou os Estados Unidos a “evitar continuar a prejudicar os laços sino-americanos bem como a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”. Para salvaguardar os “interesses nacionais”, a China decidiu “tomar os passos necessários e impor sanções à empresa principal beneficiária” da venda de armas a Taiwan, explicou.

Horas antes da decisão de Pequim sobre a Lockheed Martin, o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo afirmou publicamente que as pretensões chinesas sobre a zona do Mar do Sul da China são “totalmente ilegais”. Pequim arroga-se de ter a soberania sobre 80% das águas do mar do Sul da China e tem realizado manobras perto das ilhas Paracel cuja propriedade é também reclamada pelo Vietname. Há duas semanas que a região é causa para mais um foco de tensão entre Pequim e Washington quem por sua vez, enviou dois porta-aviões para a zona , alegadamente para defender a liberdade de navegação em águas internacionais.

Em relação a Taiwan, é outro tópico indiscutível para a China que considera a ilha Formosa (o nome de Taiwan, em português) como parte inalienável do seu território e não coloca de parte uma possível reunificação pela força. Nesse ponto de vista, as vendas de armamento norte-americano à ilha de regime democrático representam uma ingerência “intolerável” dos EUA nos assuntos internos da China, escreve o El País.

Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas oficiais com Taipei mas são o principal fornecedor militar da ilha, apetrechando-a por forma a que se defenda de uma possível invasão por Pequim.

A Presidente de Taiwan, Tsai-Ing-Wen, que foi reeeleita em janeiro com a promessa de marcar distância face a uma China cada vez mais assertiva na sua política exterior, prometeu no seu discurso de tomada de posse, em maio, reforçar o Exército da ilha. A comparação de forças é sempre desvantajosa para Taipei. Enquanto o Exército Popular da China é considerado o terceiro maior e mais bem apetrechado do mundo, o de Taiwan surge na posição 26 da lista.

As forças taiwanesas levaram a cabo esta semana as suas manobras anuais chamadas Han Kuang, nas quais ensaiam como repelir uma possível invasão bélica da China.

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