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Peste negra regressa na China. Há razões para nos preocuparmos?

Céu Neves

O virologista Pedro Simas diz que não há razões para preocupações com a peste negra. Sabemos mais e não estamos na Idade Média, quando a bactéria vitimou pelo menos um terço da população europeia.

A entidade de saúde de Bayannur, cidade do norte da China (região autónoma da Mongólia Interior) emitiu um alerta depois de ter sido diagnosticado a peste bubónica (peste negra) a um camponês. Doença matou milhões de pessoas no século XIV, nomeadamente na Europa, e tem andado por aí.

Normalmente, estas infeções provocadas pela yersinia pestis são endémicas em muitas partes do mundo – existem nos Estados Unidos, em África e na Ásia – e acontecem extemporaneamente. São bactérias que persistem na natureza em roedores e pulgas. Ocasionalmente o ser humano é infetado e pode desenvolver a peste bubónica, Há outras duas formas da doença se manifestar: um ser humano pode infetar-se ao esfolar uma peça de caça, isto nas zonas onde existe, o que dá origem a uma septicemia; há também a forma pulmonar, quando existe infeção entre humanos e que, ao espirrarem e tossirem, podem transmitir a yersinia pestis por via aérea.

Em declarações ao DN o viriologista Pedro Simas explica que não nos devemos preocupar pois o conhecimento que existe sobre a bactéria e os tratamentos para a doença transmitem tranquilidade.

Há razões para nos preocuparmos?
É uma infeção que existe há centenas de anos e que na Europa provocou uma grande pandemia, a peste negra, mas não há motivo para preocupação, a não ser que aconteça algo extraordinária. É uma bactéria que sabemos bem o que é que causa, como é transmitida, quais são os reservatórios naturais e qual é o veículo de disseminação, que é a pulga. Temos também muitos antibióticos que são efetivos contra esta infeção, portanto existe um tratamento eficaz, a priori, não há razões para preocupação. São acidentes que acontecem, há que ter alguma vigilância epidemiológica, ver se há mais casos do que os esperados, mas são facilmente diagnosticados e contidos.

Nunca provocaria os danos que fez na Idade Média?
Claro. Quando isso aconteceu nem sabíamos que existiam bactérias, não sabíamos nada. Depois apercebemo-nos que havia qualquer coisa que era transmitida pela pulga, até se pensa que foram ratos e que com os combates e nas rotas comerciais com a China a infeção e a bactéria veio para a Europa. É sempre uma preocupação de saúde pública, tem de ser reportada e tratada, mas de modo algum poderia dar origem a uma pandemia ou a uma infeção de potencial pandémico.

Há vacina para prevenir a doença?
Já houve, mas neste momento não há vacina disponível. Era efetiva contra a peste bubónica mas não contra a pneumónica e estão a ser desenvolvidas novas vacinas atenuadas e recombinantes

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