Início » Segurança, Defesa e Cooperação na Europa

Segurança, Defesa e Cooperação na Europa

António Maló de Abreu*

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) é a maior organização regional de segurança, abrangendo cinquenta e sete Estados membros, incluindo todos os Europeus, a Federação Russa, os países da Ásia Central, a Mongólia, os Estados Unidos da América, o Canadá e ainda mais treze parceiros para a cooperação da Ásia e do Mediterrâneo. Portugal participou no seu processo de formação, em 1975, como um dos trinta e cinco signatários da Acta Final de Helsínquia que estabelece os princípios por que se rege. E fez igualmente parte do grupo original de países signatários, em 1990, da “Carta de Paris para uma nova Europa”, adotada na sequência do fim da União Soviética.

A OSCE é um fórum político e de segurança que procura promover a paz, a democracia e os direitos humanos. E faz uso de instrumentos como a diplomacia preventiva e a gestão de crises, a que se juntam as medidas de criação de confiança e de reabilitação pós-conflito nas suas variadas missões. Esta abordagem abrangente contempla matérias que vão desde o controlo de armas até à segurança económica e ambiental, para além da observação eleitoral – a forte componente do seu trabalho e a de maior visibilidade.

A União Europeia, por seu lado e a partir da Cimeira de Bratislava em 2016, deu um novo impulso à cooperação em matéria de segurança externa e defesa. Conhecida a proposta relativa ao plano de ação europeu de defesa, foi aprovado o plano de execução. A estratégia a desenvolver centrou-se em três prioridades: dar resposta às crises e conflitos externos, proteger os seus cidadãos e desenvolver as capacidades dos parceiros. E definiram-se ações concretas, como sejam o lançamento de uma análise anual coordenada em matéria de defesa, o estabelecimento de uma cooperação estruturada permanente, a criação de uma capacidade militar de planeamento e condução para melhorar as estruturas de gestão de crises e o reforço do conjunto de instrumentos de resposta rápida.

A UE e a NATO, por outro lado, estabeleceram a sua cooperação assente na necessidade de enfrentar constrangimentos comuns. E concentraram esforços em domínios como as ameaças híbridas, a cooperação operacional, a cibersegurança, a indústria e a investigação, os exercícios coordenados, o reforço de capacidades, a luta contra o terrorismo, a mobilidade militar, as mulheres, a paz e a segurança.

Para se falar – muito a sério, de Segurança, Defesa e Cooperação importa começar pela pergunta-chave: a Europa pode e quer, mesmo? A que eu respondo que pode e que se não quer devia. Mas há, de entre os seus membros e até que de modo circunstancial, quem não o entenda, não se esforce e pense para si: “manus manum lavat”. Mesmo que nunca tenham chegado aos clássicos ou lido Goethe. Só que neste xadrez e nos dias de hoje, a política sem visão e feita assim, na base da egoísta troca de favores ou presa a cínicos interesses menores, não tem força nem futuro.

*Deputado e coordenador do Partido Social Democrata na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e membro da Assembleia Parlamentar da OSCE

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website