Efeito cartão de consumo - Plataforma Media

Efeito cartão de consumo

Com a atual pandemia do novo coronavírus a ter forte impacto na economia de Macau, para estimular o mercado da cidade o Governo lançou cartões de consumo eletrónico. Os residentes elegíveis recebem subsídios de 3000 e de 5000 patacas, repartidos por duas fases. Durante os primeiros 20 dias da primeira fase (a partir de 01 de maio) registaram-se mais de 9,08 milhões de transações, representando um valor total de aproximadamente 962 milhões de patacas, correspondente a mais de metade do valor total emitido nestes cartões. 

Muitas pequenas e médias empresas acreditam que este incentivo económico do Governo é altamente útil. Porém nas redes sociais muitos manifestam descontentamento, afirmando, a título de exemplo, que alguns supermercados aumentaram os preços como resposta à utilização dos cartões eletrónicos. O Conselho de Consumidores de Macau, depois de uma análise, considerou inaceitável o aumento dos preços e decidiu de imediato revogar a classificação de “Loja Certificada” a esses estabelecimentos. 

O Governo esclareceu que vai analisar o impacto dos cartões de consumo na economia no final de junho. Em declarações ao PLATAFORMA o analista Larry So Man Yum previu que os preços não desçam antes do arranque da segunda fase, prevista para agosto. Ian Heng Ut, vice-presidente da Associação da Sinergia de Macau, propôs que o Governo defina penalizações para esta segunda fase e publique os dados relacionados com a aplicação da medida, impedindo comerciantes de se aproveitarem da situação para inflacionar os preços.  

subida de preços

“Este plano deve ser elogiado pela rápida implementação”, comentou Larry So Man Yum, salientando a ajuda que constitui nas despesas diárias que os cartões representam para famílias mais carenciadas. Porém, lembrou, quando chega ao mercado uma larga quantia de dinheiro é impossível evitar a subida dos preços. “Os comerciantes ao verem este dinheiro, como poderiam não subir os preços”, interrogou-se. 

O também comentador acrescentou que “depois de os comerciantes subirem os preços, estes muito dificilmente voltam a descer” e, tendo em conta que a segunda fase do plano só terá início em agosto, as lojas não deverão reduzir preços. 

O plano pode ser eficaz a apoiar pequenas e médias empresas, “mas como é que a sociedade irá conseguir sustentar esta situação. No final de contas, os membros mais vulneráveis da comunidade serão os mais afetados, como famílias que necessitam de auxílio financeiro, idosos, e portadores de deficiência”, sinalizou.

Mais informação

O vice-presidente da Associação da Sinergia de Macau, Ian Heng Ut considerou que a execução do plano dos cartões de consumo vai incentivar ao consumo da população e estimular o mercado nacional. Parte da atual polémica à volta do uso dos cartões vem da escassez de estudos sobre uma correta execução da medida e da vontade de na segunda fase serem postas em prática regras claras que impeçam os comerciantes de inflacionar os preços. 

“A função do Governo é encontrar um equilíbrio. Os comerciantes querem expandir o mercado ao máximo para conseguirem o maior lucro possível, e os consumidores querem o maior número de produtos pelo menor preço possível. O Governo deve servir de intermediário e supervisionar esta relação, definindo uma série de regras para que tanto os consumidores como os comerciantes achem o sistema justo e beneficiem do mesmo. Se a situação se desequilibrar, o Governo deve intervir. Não queremos claramente que o Governo tenha de estar sempre a intervir, por isso as regras têm de ser bem definidas”, defendeu.

E concluiu: “os consumidores estão numa posição de desvantagem, possuindo muito menos informação do que os comerciantes. Assim sendo, a melhor forma de equilibrar a situação é com regulamentações e mais informação, para que os consumidores tenham mais escolha”.

De acordo com dados oficias do uso dos cartões de consumo eletrónico fornecidos pelo Governo, o consumo na restauração foi o mais elevado, ocupando 23,2 por cento do total utilizado. Seguiram-se gastos em supermercados, com 21,4 por cento. Na indústria da restauração, as “Cha chaan teng [casas de pasto] e lojas de sopa de fitas” ficaram no topo da lista de transações, com 45,9 por cento e 31,2 por cento, respetivamente. Cerca de metade dos consumidores (46,1 por cento) usaram também usaram os cartões nas “Cha chaan teng e lojas de sopa de fitas”. No setor do comércio de retalho, os supermercados são os locais que têm registado maior consumo, representando 30,1% das vendas neste setor. O consumo de produtos eletrónicos, vestuário, medicamentos e produtos de mercado como peixe, carne e vegetais, representam 7,8 por cento, 7,4 por cento, 6,6 por cento e 5,8 por cento, respetivamente. 

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