Os verdadeiros esquecidos em tempos de pandemia - Plataforma Media

Os verdadeiros esquecidos em tempos de pandemia

Ninguém tem dúvidas que a pandemia de Covid-19 marcará um antes e um depois da história da humanidade, isto apesar do vírus ter sido descoberto há apenas cinco meses. Marcará um antes e um depois em todos os setores, sobretudo o económico e o social, que vão levar, certamente, muitos anos a recuperarem. No entanto, há um setor que demorará ainda muito mais tempo a ‘levantar-se’, sobretudo nas nossas mentes, e esse é o dos lares de terceira idade.

Em Portugal, a Covid-19 já matou mais de 450 pessoas nestes estabelecimentos, ou seja, mais de 40% das mortes totais no meu país. Vários estudos apontam também para que em territórios como os de Espanha, Itália, França, Irlanda e Bélgica a percentagem ultrapasse os 50%, sendo que não é garantido que esse número não aumente.

É muito triste olhar para estes dados e pensar que muitas destas pessoas, por todo o mundo, sobreviveram, por exemplo, a uma guerra. Parte da nossa história desapareceu. E é mais triste ainda saber que desde o início foram muitos os especialistas que avisaram e recomendaram uma maior proteção aos mais velhos, aqueles mais vulneráveis ao contágio. Mas, no final, os grandes esquecidos foram eles.

É verdade que se tratava de um vírus de origem desconhecida – e ainda é -, mas desde cedo se percebeu que o setor dos lares de terceira idade carecia de proteção, pelo que não há justificação para estes tão brutais números de mortes.

Mas, como em tudo na vida, nem tudo pode ser olhado apenas pelo lado negativo. E pode ser que daqui para a frente olhem para estas residências não apenas como empresas e fontes – enormes – de rendimento. Oxalá, os governos, olhem para as mesmas com outros olhos e obriguem a cuidar dos nossos idosos de uma outra forma. É que se há alguém que merece uma vida tranquila e sem medos após muitos anos de trabalho e sofrimento são eles.

12.05.2020 09:49 WEST

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