Não se prende um bandido sem provas - Plataforma Media

Não se prende um bandido sem provas

Dez dias depois do início da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, Trump continua a agravar a situação, chegando quase ao ponto da loucura. O lado chinês também não está disposto a mostrar fraqueza, tendo respondido a todas as ameaças americanas na mesma moeda. Esta guerra comercial não parece dar sinais de vir a acalmar tão cedo. Será que apenas terminará quando ambos os lados saírem “derrotados”? A China sempre salientou o facto de não desejar entrar numa guerra comercial. Há meros dias atrás, Li Keqiang, primeiro-ministro chinês, voltou a vocalizar esta vontade chinesa durante uma conferência de imprensa depois de uma reunião com líderes da União Europeia, em Pequim. 

A China não quer iniciar uma guerra por saber que num conflito como este nunca há nenhum lado vencedor. No pior dos casos ambos saem perdedores, e na melhor das hipóteses “um lado perde 1000, outro perde 800”. Além do mais, a China sabe que o problema comercial existente é algo que tem solução. Uma troca comercial é por natureza benéfica para ambos os lados, por isso durante as três passadas reuniões a China tentou evitar criar mais conflitos e ao mesmo tempo salvaguardar um dos seus principais clientes. O país está disposto a fazer concessões para os EUA, que todos os anos geram centenas de milhares de milhões de dólares de excedente comercial. Se for necessário, os EUA estão também dispostos a vender produtos à China, tendo a China prometido aumentar o número de importações dos EUA. Ainda assim, os americanos estão empenhados em iniciar uma guerra comercial. Tudo indica que a administração de Trump está a utilizar este conflito como desculpa para interferir com o desenvolvimento da indústria tecnológica chinesa, forçando a China a pôr de parte a indústria mais promissora do país na atualidade. 

A China tem o direito de querer desenvolver indústrias como a aviação, viagens espaciais, comunicação e inteligência artificial. O país não deve desistir destes desenvolvimentos apenas porque os Estados Unidos estão na linha da frente de algumas destas áreas tecnológicas. Tal como não pode ser presumido que a China irá “roubar” todos os sucessos americanos alcançados até ao momento. Hua Chunying, porta-voz do Ministério de Negócios Estrangeiros chinês, salientou esta realidade há uns dias atrás quando durante uma conferência de imprensa pediu aos EUA que mostrem provas das acusações de roubo de propriedade intelectual por parte da China. Falsas imputações como estas são uma verdadeira distorção da essência que os direitos de propriedade intelectual pretendem representar. 

Claramente, os EUA contribuíram em grande parte para o avanço da ciência e tecnologia da Humanidade, todavia, a posição de liderança neste campo da inovação tecnológica apenas começou nos últimos séculos. A civilização tem vários milhares de anos de história e, durante estes longos anos a China também fez grandes contribuições para o avanço da ciência e tecnologia. Os EUA acreditam, pretensiosamente que toda a modernização no resto do mundo vem à custa de imitações. Se o lado americano acreditar, realmente, que a China está a roubar propriedade intelectual de empresas americanas, deve então em tribunal defender os direitos e interesses das mesmas. O governo não pode, simplesmente ver o país como uma única entidade proprietária, e atirar para o ar a acusação de que “a China copia os EUA”.

Neste momento, os EUA são o nº1 na indústria aeroespacial, no entanto os americanos não se podem esquecer que a primeira nação a enviar um satélite artificial para o espaço foi a União soviética, tal como o primeiro astronauta. Podemos então dizer que toda a tecnologia aeroespacial americana foi roubada à União Soviética? Para manter o primeiro lugar na indústria tecnológica os EUA devem continuar a liderar através da inovação, produzindo resultados revolucionários para a Humanidade. Washington não tem o direito de ditar aquilo que a China pode ou não desenvolver, e a China não deve seguir as suas ordens.

DAVID Chan 20.07.2018

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter