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Startups com novo espaço

O Centro de Incubação de Negócios para Jovens de Macau já está a funcionar nas novas instalações. Cerca de 40 empresas candidataram-se ao novo espaço, agora, sob gestão da empresa do Governo, Para futuro. 

É na zona do Nape, junto ao rio, que está agora o Centro de Incubação de Negócios para Jovens de Macau, com enfoque nas startups. As novas instalações foram inauguradas há duas semanas. Das 38 empresas que se candidataram, 15 já foram aprovadas. As restantes aguardam luz verde da comissão avaliadora. 

O centro, inaugurado em 2015, passa agora a ter um espaço próprio depois de ter passado cerca de dois anos na sede do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). Continua a estar sob a alçada dos Serviços de Economia, mas a gestão do espaço e do projeto foi entregue à empresa pública Parafuturo de Macau Investimento e Desenvolvimento, com a qual o Executivo assinou um acordo a 18 de outubro para dirigir o centro, e que tem como presidente Francis Tam, antigo secretário para a Economia e Finanças. 

“Queremos criar mais oportunidades de negócio para empresários locais e empresários que, não sendo de Macau, querem investir e começar um negócio em Macau”, explica o diretor-geral da Parafuturo, Wilson Lam. 

Para entrarem no centro de incubação, as empresas têm de apresentar uma proposta. Lam diz que, por enquanto, não há qualquer limitação desde que o negócio tenha sentido segundo os critérios da Parafuturo. “O que privilegiamos é o potencial de sucesso, independentemente de ser um produto ou um serviço.”

Caso a ideia seja aprovada, os empresários passam a poder usar as instalações gratuitamente durante seis meses, 24 horas por dia e sete dias por semana. O período é prorrogável por mais seis meses até um máximo de dois anos, desde que o negócio esteja a crescer e a Parafuturo entenda que continua a haver motivos para apoiar os empresários. Além do espaço, o centro oferece serviços de aconselhamento e promoção para ajudar a montar, consolidar e promover o negócio. “Vai haver pessoas como eu, que sou designer de marca e que comecei a vida empresarial há muitos anos, com diferentes experiências a quem podem pedir conselhos e que os vão acompanhar”, acrescenta Wilson Lam, também proprietário da loja de indústrias criativas, Macau Creations.

O espaço conta com um auditório, salas de reuniões, um terraço com jardim e uma sala comum. É um open space sem escritórios privados para cada empresa. O design não foi ao acaso. “É uma forma de incentivar os empresários a sentarem-se em sítios diferentes e de encorajar que falem e troquem impressões uns com os outros”, explica o diretor-executivo, Carlos Lam.

Já Wilson Lam acredita que, tendo em conta o espaço e o perfil dos empresários ligados a startups, o contacto surgirá naturalmente. Ainda assim, ressalva, o centro vai fomentar a aproximação. “Vou conhecer bem o todos os negócios, saberei as vantagens e necessidades de cada empresário, e posso pô-los em contacto em função dos que uns precisam e do que outros podem oferecer”, exemplifica. 

Na incubadora, também serão organizadas atividades como workshops, apresentações de negócios consolidados e encontros com potenciais investidores de Macau, do Continente e de outros territórios. 

Uma porta para o Continente

Ajudar os empresários que querem entrar noutros mercados, como o do Continente, é mais um dos objetivos do centro, segundo Carlos Lam. A ideia é explorar a relação que a Parafuturo já tem com as incubadoras da China Continental – a Oficina de inovação para os jovens de Guangdong, Hong Kong e Macau, em Nansha; o Parque de criatividade, inovação e empreendedorismo, também em Nansha; o Vale de criação de negócios para os jovens de Macau, na Ilha da Montanha; e, o Centro de Jovens Empresários e Inovação de Qianhai Shenzhen-Hong Kong, em Qianhai, Shenzhen. “Queremos investir mais na comunicação com as incubadoras. Dar-lhes a conhecer os projetos das nossas empresas e vice-versa”, refere o diretor-executivo.

A colaboração com incubadoras estende-se a outros países, como Portugal. Em fevereiro, Macau estabeleceu novas cooperações com centros de startups portuguesas, depois da visita ao país de uma comitiva de jovens empresários locais, que integrava também o diretor dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip, e Chui Sai Peng, vice-presidente da Parafuturo, e também deputado. “Queremos enviar empresários daqui para Portugal para que tenham contacto com o que se está a fazer lá e como se estrutura um negócio no país”, antecipa Carlos Lam.

Wilson Lam não tem dúvidas de que a incubadora é um trampolim para quem está a começar. “Na fase das entrevistas, tentamos logo ajudá-los a perceber se o negócio faz sentido e isso é muito importante. Se acharmos que não tem futuro, vamos explicar-lhes porque não funciona. Quando aceitamos, vamos apresentar o negócio a outras pessoas. Comecei a vida empresarial muito novo e na altura não tínhamos apoio. É fantástico que agora haja estas ajudas do Governo, que se tenha um negócio e haja alguém que ajude a divulgá-lo e a encontrar pessoas que podem investir”, realça. 

Carlos Lam acrescenta aos benefícios, o que os empresários poupam em rendas por estarem num espaço gratuito e o apoio na solução de obstáculos quando querem exportar o negócio. “As incubadoras do Continente com as quais trabalhamos não são privadas, pertencem a uma província e algumas são nacionais. Podemos ajudá-los em questões como legislação e taxas que são aplicadas aos produtos”, afirma.

Aspetos importantes para os empresários que, segundo o responsável, estão sobretudo preocupados com as oportunidades de negócio e em angariar investimento. “É nisso que estamos a trabalhar nesta fase. Vamos convidar para apresentações dos negócios que temos aqui fundos e investidores, tanto de Macau como da China Continental, que têm interesse em investir em startups”, revela.

Expectativas elevadas

Duzh, à frente das produtoras de audiovisual Bigui e Macau Metropolis Picture, é um dos empresários que está na incubadora. Deixou Pequim há dez anos para apostar em Macau e não está arrependido. “Pequim é uma cidade enorme, e a China um país gigante. É difícil encontrar apoios”, aponta.

Depois de ter recebido subsídios do Governo destinados a pequenas e médias empresas, acabou por montar o primeiro escritório na incubadora por sugestão dos Serviços de Economia. “Venho de Pequim e sinto que a empresa e eu precisamos de conhecer mais gente. Esta é uma das formas de o fazer. A incubadora funciona como uma espécie de intermediário. Podemos falar uns com os outros, conhecer outros negócios, e quem sabe ter colaborações. Posso conseguir mais recursos, porque organizam eventos e aparecem pessoas novas. E claro, a questão mais importante é a possibilidade de conseguir mais investimento a partir da incubadora”, sublinha o jovem empresário.

O contacto com outros negócios também foi um dos motivos para a Follow Me Macau estar no centro de incubação. “Vai haver muito mais empresas chinesas aqui. Neste momento, somos os únicos empreendedores portugueses de Macau no centro. É muito importante estarmos em contacto com empreendedores chineses, que no IPIM não tínhamos”, diz Marco Rizzolio, à frente da empresa online de venda de experiências de lazer.

A Follow Me Macau, inaugurada em outubro na Feira Internacional de Macau, foi uma das empresas transladadas do centro de incubação do IPIM para as novas instalações. “O IPIM oferecia o espaço e serviços como o de bolsas de contacto, mas era pouco proativo. Isto já é uma incubadora como conhecemos nos Estados Unidos ou na Europa. Não se limitam a oferecer-nos o espaço. Têm o plano de ter investidores e empresas que vão avaliar o nosso projeto, em termos de negócio e marketing, e vão ajudar a acelerar a empresa”, sublinha.

O apoio, a juntar ao que poupa, fazem Marco Rizzolio ter a certeza de que o centro é “uma grande ajuda”. “Um escritório custa no mínimo dez mil patacas. Depois há uma poupança enorme, que ainda não consigo estimar, que tem que ver com a promoção e marketing, e no apoio que nos podem dar aqui. Não consigo quantificar, mas é muito.”

Duzh concorda. Foram aliás os apoios que o Governo dá às pequenas e médias empresas e a “maior aposta” no setor da cultura face a Pequim que o levaram a ficar e, agora, a querer que Macau seja a sede principal da empresa que também opera no Continente. “Sinto que há muitas vantagens em estabelecer um negócio aqui. O Governo apoia bastante”, enfatiza.

O produtor diz não ter encontrado grandes obstáculos para entrar no mercado do território, mas sublinha que a facilidade não é a mesma se o caminho for ao contrário. A concorrência, a competição e a cultura fazem com que, na opinião de Duzh, seja difícil um negócio local migrar para o Continente. “É fundamental encontrar um intermediário ou conseguir uma parceria.”

Macau, critica, está de certa forma isolada do Continente. “É importante desenvolver a ligação entre as duas partes”, sugere. 

Apesar das lacunas que encontra em Macau – como a “falta de recursos humanos”, ser um mercado “pequeno” e uma cidade com “pouca gente” -, o produtor defende que há “um enorme potencial” para desenvolver a área da cultura e “fazer algo grande” no território. “Macau pode ser grande enquanto marca. E precisa de empresas como nós. Pequim não precisa de nós como Macau. Já lá há intelectuais que cheguem”, considera. 

Sou Hei Lam

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