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A bela e o monstro

Longe vão os tempos em que nem o céu era o limite, com receitas do jogo acima das 300 mil milhões de patacas. Mas a queda que se seguiu estancou e a recuperação, percetível há um ano, é hoje clara e consistente. A previsão para este ano foi ultrapassada em outubro; razão pela qual, apesar de ser conservador nas expectativas, o Governo assume a curva ascendente e projeta 230 mil milhões para 2018. Bela notícia para a Região que depende da indústria como do pão para a boca. Péssima notícia para a classe média que viva fora da orla dos casinos. O monstro da inflação é voraz e o metro quadrado dispara mais 30 por cento. 

Alvin Chau, CEO da Sun City e voz incontornável entre os junkets, envia aparentes recados à China: a diversificação “está feita” e mais vale assumir o modelo que projeta Macau como plataforma para a fuga do capital chinês. Percebe-se esse braço particular da indústria; aliás, responsável pela inflação imobiliária, comprando prédios inteiros e lançando a bolha seguinte. Os ciclos são demasiado óbvios e fazem sentido económico… para quem pode. O cidadão comum, esse, vê pressionado o seu nível de vida e a cidade arrastada para o mundo que o discurso oficial promete combater.

Olhos postos a norte, os resultados do jogo indicam uma mudança estratégica: Pequim desaperta o cerco à fuga de capitais. Ou seja; Alvin Chau não desafia o norte político – tese quase bizarra. Antes anuncia a realidade que lhe serve e está à vista. Este é também o sinal de que o poder de Xi Jinping está mais do que consolidado. A afirmação do seu poder implicou o controlo da caixa registadora em Macau. Primeiro, para cortar o circuito aos inimigos internos; depois, para gerir os operadores americanos que financiam a direita conservadora americana e israelita – sem o crivo de Pequim. O jogo vai continuar. Infelizmente, com ele volta a inflação imobiliária e a sensação de que a diversificação económica não passa de um discurso de circunstância.  

Paulo Rego

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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