Cooperação BRICS é esperança para transformar a ordem internacional - Plataforma Media

Cooperação BRICS é esperança para transformar a ordem internacional

O ano de 2001 pode ser considerado um ponto de viragem para a história da humanidade. Nesse ano, a China juntou-se à OMC, avançando rumo à sua rápida ascensão, e o economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O’Neill, criou o conceito de “BRIC”, representando um conjunto de países emergentes.

O BRIC passou de um conceito de investimento para um mecanismo de cooperação, de quatro países para cinco, criando ainda o mecanismo “BRICS+” proposto atualmente pela China. Durante este processo, a intenção original não se alterou: a esperança de transformar a ordem internacional.

Força motriz de transformação: cooperação entre países em desenvolvimento, três indicadores de sucesso

O contributo dos BRICS para o crescimento económico mundial está perto dos 50 por cento, estando prestes a ultrapassar o G7 e atribuindo uma nova vitalidade ao comércio e investimento em todos os setores. A economia dos cinco países do BRICS, representando anteriormente 12 por cento do total mundial, representa agora 23 por cento, contribuindo mais de 50 por cento para o crescimento económico mundial. O comércio e investimento entre os cinco países aumentou acentuadamente. A influência destes em importantes instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial ou o FMI atingiu um novo patamar. A cooperação BRICS deve servir de motor para a cooperação dos mercados emergentes e países em desenvolvimento. Em julho deste ano, durante um encontro com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos BRICS, o Presidente Xi Jinping referiu que a cooperação BRICS é algo de inovador, indo para além da via tradicional da aliança política ou militar, construindo uma nova relação de parceria não-alinhada. Vai também para além do anterior conceito de relação formada a partir de bases ideológicas, passando para uma nova via de respeito mútuo e desenvolvimento conjunto. Deixa para trás os anteriores conceitos de vencedores e perdedores, praticando o benefício mútuo e a cooperação mutuamente benéfica.

Via de transformação: reconstrução da cadeia de valores e reequilíbrio da economia mundial

No ano passado, os BRICS investiram 197 mil milhões de dólares em países estrangeiros, sendo que o investimento dentro do grupo representou apenas 5,7 por cento. Desta forma, a cooperação BRICS realça a harmonia das estratégias de desenvolvimento, criando um grande mercado de investimento, uma grande circulação monetária e uma grande interligação de infraestruturas. Desta forma é concretizado um desenvolvimento inclusivo e conjunto, promovendo-se o sistema de divisão internacional de trabalho e a otimização da cadeia de valores mundial. A cooperação BRICS já ultrapassa o campo económico, sendo movida pelas “três forças” da política, economia e cultura, e criando uma estrutura de cooperação abrangente e a vários níveis. Com base num auto-posicionamento, uma perspetiva de longo prazo e um desenvolvimento da reforma estrutural, os BRICS procuram novos motores de crescimento e novas vias de desenvolvimento. A cooperação BRICS tem como base o crescimento e transformação através da inovação e a transição das forças motrizes tradicionais a favor de forças modernas. Através da reforma serão superados os obstáculos ao desenvolvimento económico, serão eliminados os entraves desnecessários presentes no sistema e será estimulada a vitalidade do mercado e da sociedade, concretizando um crescimento de maior qualidade, mais sólido e mais sustentável. Desta forma é também promovida a reforma estrutural da economia mundial, efetuando o seu reequilíbrio.

Direção de transformação: ligação do passado com o futuro, abertura e a inclusão

Tal como Xi Jinping referiu, os BRICS são defensores da paz mundial e edificadores da ordem e segurança internacionais. A cooperação BRICS encontra-se numa fase crucial de ligação entre o passado e o futuro. Nos últimos dez anos, os BRICS têm unido esforços e conseguido um crescimento que fez deles novas forças na economia mundial. Nestes dez anos, os BRICS procuraram avanços e desenvolvimentos conjuntos. Tendo o pragmatismo como prioridade, foi promovida a cooperação mutuamente benéfica e os países atreveram-se a desempenhar um maior papel no cenário mundial. Na base do espírito BRICS estão o tratamento igualitário, a busca de pontos de convergência, a inovação prática, a cooperação mutuamente benéfica e o enaltecimento pessoal através do enaltecimento de outros, convergindo aí todos os esforços conjuntos dos últimos dez anos. Para além disso, o grupo BRICS promove ainda a “Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável”, a solidariedade e cooperação, a abertura da economia mundial e o sistema comercial multilateral, para que a globalização económica avance numa direção de desenvolvimento inclusivo e do benefício global.

Olhando para o futuro, a cooperação BRICS está ligada ao futuro da ordem internacional. A criação do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas representa uma nova força na governação financeira internacional, promovendo uma ordem mais equilibrada e de benefício global. A criação do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS é também o mais recente exemplo de um esforço conjunto de grandes países ao nível da China na criação de uma ordem internacional mais inclusiva. 

Wang Yiwei*

* Professor do programa Jean Monnet da Universidade Renmin da China e investigador do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros dessa mesma universidade.

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