Paulino Comandante e Miguel de Senna Fernandes talvez sejam nomeados para a Assembleia - Plataforma Media

Paulino Comandante e Miguel de Senna Fernandes talvez sejam nomeados para a Assembleia

Depois de muitas restrições da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) que tornaram difícil sentir no ar a atmosfera eleitoral, as sextas eleições legislativas terminaram sem percalços no dia 17 de setembro. O número de votantes ultrapassou o das eleições anteriores, alcançando os 177,872, quase mais 20 mil do que há quatro anos. A afluência aumentou, e também as queixas relativas a atividades eleitorais ilegais como propaganda ilícita, viagens pagas ou jantares oferecidos diminuíram. Isto talvez seja uma fonte de orgulho para a CAEAL, mas não podemos também esquecer que este aumento nos votos foi muito possivelmente motivado por uma vontade dos eleitores de escolher os seus representantes para pressionar o Governo no seguimento do tufão Hato. Nesse caso, o “motivo de orgulho” da CAEAL custou muito à população de Macau, para não falar de que nestas eleições houve mais de 30 mil novos eleitores, sendo que por isso o aumento no número de votos é normal e nada de extraordinário.

Nestas eleições tivemos no sufrágio direto 24 listas com um total de mais de uma centena de candidatos a lutarem por 14 lugares, o que fez desta uma competição muito mais feroz e imprevisível do que as anteriores cinco eleições da RAEM. Pouco depois do início da campanha já as listas estavam a anunciar reviravoltas eleitorais, e, no momento em que terminaram as votações no dia 17, nenhuma das listas foi capaz de assegurar a eleição dos seus candidatos, podendo apenas respirar de alívio quando foram finalizadas as contagens e divulgados os resultados.

Depois de acalmados os ânimos, foi possível verificar que os três grandes blocos da Assembleia Legislativa permanecem basicamente inalterados, havendo contudo caras novas a substituir caras velhas. Três das caras novas são Agnes Lam da Observatório Cívico (Lista 4), Sulu Sou da Associação do Novo Progresso de Macau (lista 7) e Leong Sun Iok da União Para o Desenvolvimento (lista 16). Estes três novos elementos também representam uma pequena mudança na Assembleia Legislativa. Há a introdução de uma força especializada nas listas tradicionais. Surgiu um jovem sucessor para os pró-democratas, e o campo pró-Pequim teve um representante da classe média. Poderá Leong Sun Iok, da Federação das Associações dos Operários de Macau, conseguir para os trabalhadores da indústria a mobilidade vertical que desejam? Durante o período eleitoral, Sulu Sou foi acusado de apoiar a independência de Hong Kong e de se ter deslocado a Taiwan para participar numa manifestação pelas “cinco independências” (Hong Kong, Taiwan, Tibete, Xinjiang e Mongólia Interior) retirando daí a experiência para promover a “indigenização” de Macau e estando em cumplicidade com o movimento de “cinco independências”. Sulu Sou já realçou que todos os candidatos da sua lista assinaram declarações com cláusulas de “lealdade antissecessão”, acrescentadas na revisão da legislação eleitoral, e juraram lealdade à RAEM da República Popular da China e à Lei Básica de Macau. Ainda assim, foi acusado de ter “tendências de divisão”. Agnes Lam afirmou que irá seguir na Assembleia Legislativa a via do meio e, apesar de ser considerada uma mulher talentosa, extremamente erudita e eloquente, ainda está para ver se será capaz de fazer pleno uso das suas competências na Assembleia. Ficaremos atentos para verificar se estes três novos elementos trarão uma mudança de ambiente à Assembleia nos próximos quatro anos.

No sufrágio indireto, embora tenham surgido duas listas no colégio eleitoral do setor profissional, o resultado não foi inesperado. Aí foram eleitos o “irmão do Chefe”, Chui Sai Cheong, juntamente com o advogado Vong Hin Fai e Chan Iek Lap da Associção de Médicos Chineses. Os candidatos dos restantes colégios foram eleitos sem grande competição.

Agora esperam-se os sete deputados a serem nomeados pelo Chefe do Executivo. Uma vez que foram poucos os eleitos de profissão jurídica, Chui Sai On poderá escolher mais alguns elementos dessa área. Avaliando os elementos luso-descendentes e bilingues, sabe-se que Leonel Alves não tenciona ocupar mais o lugar de deputado, e consta que José Manuel Rodrigues não está em bom estado de saúde. Por isso, atrevendo-me fazer uma previsão, diria que Miguel de Senna Fernandes e Paulino Comandante da Associação dos Advogados de Macau talvez sejam as melhores escolhas. 

DAVID Chan 

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