Grupo da Novo Macau consegue três lugares e mais de 30 mil votos - Plataforma Media

Grupo da Novo Macau consegue três lugares e mais de 30 mil votos

Mesmo face a várias condições adversas, as três listas ligadas à Associação de Novo Macau conseguiram eleger deputados. Conseguiram também pela primeira vez ultrapassar os 30 mil votos no melhor resultado de sempre.

Nos últimos anos têm surgido divergências entre a geração nova e antiga da Associação de Novo Macau, fazendo com que os deputados da velha guarda Ng Kuok Cheong e Au Kam San deixassem a associação, atribuindo assim a liderança a Sulu Sou e aos membros da sua geração. Nestas eleições legislativas, as duas diferentes linhas geracionais da associação dividiram-se em três listas, tal como há quatro anos, e, contra as expectativas da maioria, o número um de cada uma das três listas foi eleito. Au Kam San conseguiu 11,381 votos, Ng Kuok Cheong conseguiu 10,080 e Sulu Sou conseguiu 9,213. Os votos totais das três listas ultrapassaram os 30 mil, com quase mais sete mil votos do que há quatro anos.

Na noite de contagem, muitos jornalistas esperaram os resultados no escritório dos deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San na Areia Preta. Chegados quase a metade da contagem, as listas dos dois candidatos haviam já conseguido o número de votos desejado. O ambiente na sala era descontraído. Desaparecera de repente toda a ansiedade causada pelos diversos fatores adversos que antecederam as eleições. Revelados os resultados finais, foi aberta uma garrafa de champanhe para celebrar.

Ng Kuok Cheong mostrou-se muito satisfeito com este resultado eleitoral. O político pioneiro manifestou aos jornalistas presentes a esperança de que cada uma das listas pró-democracia não desapontasse os eleitores, fizesse avançar a democracia e fizesse um melhor trabalho de combate à corrupção. Au Kam San, embora tivesse sido anteriormente criticado por comentários relativos ao Exército de Libertação Popular, recebeu mais votos do que nas eleições anteriores, e conseguiu até ultrapassar o número de votos de Ng Kuok Cheong. Na opinião de Au, tal foi um sinal de aprovação dos eleitores em relação ao seu anterior trabalho pragmático, e a controvérsia gerada terá acabado por atrair mais eleitores de ideologia pró-democrata.

Para além dos bons resultados dos dois pró-democratas da velha guarda, o jovem Sulu Sou, de 26 anos, conhecido pela manifestação de 25 de maio de 2014, também obteve o apoio dos eleitores, tornando-se no deputado mais jovem de sempre na Assembleia Legislativa de Macau. No dia seguinte às eleições, acompanhámos Sulu Sou durante o seu agradecimento público pelos votos. O momento foi efusivo, e muitos cidadãos tomaram a iniciativa de dar os parabéns ao deputado.

Nos últimos anos, foram constantes as disputas internas na Associação de Novo Macau, estando de um lado Ng Kuok Cheong e Au Kam San e do outro Sulu Sou. Contudo, uma vez que no futuro estes três elementos serão colegas na Assembleia, haverá cooperação ou serão os caminhos dos deputados incompatíveis? “Na noite das eleições contactei em privado com Ng Kuok Cheong e Au Kam San, congratulando-os. Ng Kuok Cheong retribuiu-me os parabéns, e Au Kam San disse que espera que haja mais margem para cooperação na Assembleia. Isto entre nós está muito claro, espero que todos possamos abrir os horizontes e cooperar em alguns assuntos ou ideias onde seja possível cooperar. Os cidadãos ficarão felizes por ter aí uma maior força”, afirmou Sulu Sou.

As eleições não foram fáceis para o novo deputado. A lista 7, Associação do Novo Progresso de Macau, enfrentou várias adversidades, encaradas pelo grupo como ataques e difamação por terceiros. Circularam rumores de que o número quatro da lista, Wong Kin Long, tinha “diversas vezes defendido a independência de Hong Kong”. Wong Kin Long defendeu-se afirmando que se tratava apenas de um ataque malicioso, e realçando que todos os candidatos da sua lista assinaram uma declaração de apoio à Lei Básica, lealdade à RAEM e reconhecendo os princípios de “Um País, Dois Sistemas” e de “Macau governado pelas suas gentes”. “As alegações de apoio à independência de Hong Kong são histórias puramente falsas”, assegurou Wong. 

Kenneth Choi

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