Novo mundo a Oriente

por Arsenio Reis

Portugal bate recordes históricos na contenção do défice. Contudo, os canadianos da DBRS continuam a ser a única agência de notação financeira a classificar a dívida portuguesa acima do nível de lixo; o ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, insiste  numa segunda intervenção externa; o presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, surpreende o mundo e avisa que o norte protestante não está disposto a pagar “copos” e “mulheres” ao sul católico. Pese o preconceito e o ridículo do ministro holandês das finanças, há uma realidade que cai sobre a Europa pobre como uma espada de Dâmocles: a dívida externa.

Segundo dados do Banco de Portugal, a dívida pública portuguesa atingiu em fevereiro o valor mais alto do último semestre, sendo preciso recuar a setembro de 2016 para encontrar valor superior. A dívida aumentou para 243,49 mil milhões de euros, mais 643 milhões face a janeiro e mais 11,95 mil milhões face ao mesmo mês do ano passado. O novo guru da esquerda europeia, Mário Centeno, tenta provar que é possível devolver rendimentos e recuperar o poder de compra da classe média. Não consegue é disfarçar a verdadeira face do “milagre económico”: a constrangedora ausência de investimento público e o aumento da dívida externa, razão pela qual os leilões das obrigações do tesouro pagam 4 por cento de juros e o financiamento do banco público chegou à assustadora fasquia de 11 por cento. Afinal, a esquerda contraria os seus próprios fundamentos ideológicos e a austeridade continua no ar.

Por mais surpreendente que seja a performance da economia portuguesa, o investimento estrangeiro é a única alavanca realmente capaz de criar emprego, fomentar a inovação e potenciar as exportações. E hoje em dia, investimento externo só pode querer dizer China. Este é o novo paradigma da realpolitik, sejam quais forem os preconceitos ideológicos, os psicodramas civilizacionais ou os fantasmas do perigo amarelo, com que muita gente continua a acenar o fim da história como a conhecemos. Não há volta a dar: o novo mundo nasce a Oriente. 

Paulo Rego

Pode também interessar

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!