O presidente Trump e a sua família

por Arsenio Reis

A política económica e comercial do presidente norte-americano Donald Trump coloca “a América primeiro”. Menos de um mês depois de ocupar a Casa Branca ele já deu a ordem para a construção de uma parede na fronteira com o México, de forma a impedir a entrada de emigrantes ilegais, e pediu à empresa automóvel japonesa Toyota que construa as suas fábricas nos Estados Unidos e não no México. Para além disso, apenas depois do primeiro-ministro japonês ter decidido investir 150 mil milhões de dólares em infraestruturas e na criação de 700.000 postos de trabalho nos Estados Unidos é que Trump esteve disposto a jogar com ele uma partida de golfe.

De facto, ainda antes de Trump ter assumido oficialmente o cargo de presidente dos Estados Unidos, já os seus filhos tinham traçado um “plano de lucro”.

Toda a família de Trump é constituída por empresários, todos eles bem-sucedidos. Devido à sua personalidade empresarial, muitas vezes existe a tendência de procurar o lucro independentemente das consequências. Antes de Trump ocupar a Casa Branca, os seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump criaram a “Opening Day Foundation”, que por apenas 1 milhão de dólares ofereceu a oportunidade de um encontro privado com Trump no seu segundo dia como presidente, participando com ele numa atividade de caça ou pesca e tirando fotografias como recordação. A sua estimada filha, Ivanka Trump, planeou anteriormente leiloar na internet um “coffee date”, onde pelo preço inicial de 50.000 dólares os interessados poderiam tomar um café com esta bela figura presidencial norte-americana durante 35 a 40 minutos.

Embora as iniciativas dos seus filhos tenham sido todas feitas em nome da caridade, sendo também, segundo a equipa de Trump, projetos unilaterais dos filhos sem natureza oficial, mesmo assim estas duas situações já suscitaram muitos comentários entre o público norte-americano sobre o caráter empresarial desta família. Os meios de comunicação norte-americanos viram as iniciativas como uma falta de integridade, já que não foi explicitado para onde iriam os fundos obtidos. Foi também questionado o facto de ser usada a influência política do pai, pois quem quisesse entrar em contacto direto com o presidente dos Estados Unidos poderia fazê-lo através de um pagamento, para além de isso acontecer logo no segundo dia da presidência. O facto de ser possível a interação com uma figura de autoridade como o presidente dos Estados Unidos pelo valor de 1 milhão de dólares é algo simplesmente atroz. Isto foi algo difícil de aceitar para os norte-americanos, logo, assim que a opinião pública revelou uma oposição veemente, a “Opening Day Foundation” resignou-se tacitamente, e o “plano de lucro” desvaneceu sem surtir frutos.

Segundo algumas opiniões, a partir deste incidente foi possível perceber que a família de Trump não olha a meios para conseguir lucros. Que espécie de desordem poderá trazer para a sociedade norte-americana uma família que não possui um sentido de ética, um sentido de responsabilidade ou um sistema de valores correto? Embora os filhos e a filha do presidente tenham realçado que as iniciativas tiveram a solidariedade como ponto de partida, muitos acham que, como família presidencial, as suas ações são muito mal ponderadas.

Esta situação leva-nos a questionar qual o limite ético não só de Trump mas também de toda a sua família. No “coffee date” com a sua filha, um dos licitadores, dono de uma cadeia de restaurantes mexicanos, manifestou aos jornalistas a esperança de poder através da filha de Trump mudar a opinião de Trump e convencê-lo a não alterar a lei da imigração e a não expulsar os mexicanos residentes no país. Um outro licitador, um empresário inglês com negócios no Médio Oriente, disse aos jornalistas que tinha a esperança de poder através de Ivanka entender a posição do presidente norte-americano face às políticas relativas à Turquia. Com base nestes exemplos, quais poderão ser as intenções dos participantes num encontro com Ivanka ou nas atividades de caça e pesca com Trump? Esta família, porém, não tem qualquer tabu relativamente a este tipo de atividades eticamente dúbias, e usa de forma vergonhosa a Casa Branca como forma de fazer dinheiro.

Esta família não entende o conceito de evitar conflitos de interesse, não entende as questões de falta de ética, e não é de espantar que a sociedade americana não apoie este presidente. Até mesmo a atriz galardoada Meryl Streep, depois de criticar Trump por ter troçado com um jornalista com uma deficiência física, recebeu uma resposta inesperada do presidente dizendo que a atriz era sobrevalorizada e uma “lambe-botas” de Hillary. O presidente insultou também uma empresa de armazéns de lojas depois de esta ter retirado dos estabelecimentos a marca de roupa de Ivanka. Perante isto é preciso dizer, infelizmente, que um presidente de autoridade mundial com este nível de comportamento traça um futuro muito claro para os Estados Unidos. 

DAVID Chan

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