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Cooperação assente em empreendedorismo

O Fórum Macau Startup juntou os representantes de 19 empresas de Macau, China Continental e de Portugal ligadas sobretudo à área da tecnologia e inovação, potenciais investidores e membros do Governo, lançando as sementes para um outro tipo de cooperação.

“Deste encontro da criatividade damos força à inovação e abrimos espaço para um novo nível de desenvolvimento das nossas economias”, afirmou o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, no discurso de encerramento do Fórum Macau Startup. O evento juntou 19 empresas do território, da China Continental e de Portugal, entre 10 e 11 Outubro, e culminou com a assinatura entre os Governos de Macau e de Portugal de um memorando de entendimento para “promover o empreendedorismo e o apoio às ‘startups’”.

Depois de um primeiro dia dedicado à formação, a cargo da Fábrica de Startups, uma das entidades que concebeu a iniciativa, 19 firmas — sete da China Continental, seis de Macau e seis de Portugal — fizeram as suas apresentações aos investidores. 

No fim, houve direito a atribuição de prémios. Em primeiro lugar ficou a Zaask (Portugal), enquanto a Phantoms (Macau) — empresa que desenvolve relógios conceptuais que simplificam o design e os aspetos ligados à engenharia —  e a Insure Hong Intelligence Design (China Continental) — firma que combina tecnologia com design artístico, imitando o processo criativo do designer — receberam prémios de honra. 

A Zaask é uma empresa que procura fornecer uma plataforma para contratação de trabalhadores. “É uma plataforma que ajuda as pessoas a encontrar os profissionais disponíveis, ajuda-te a comparar preços, ver as críticas, ver as ofertas potenciais para profissionais mais qualificados”, descreve Kiruba Shankar Eswaran ao PLATAFORMA MACAU. “Também introduz um elemento de confiança e conveniência para os clientes. Ao mesmo tempo, para os profissionais, dá-lhes um canal para conquistarem novos clientes.”

Teve conhecimento deste Fórum através da Fábrica de Startups e resolveu aderir, por ser “uma oportunidade de troca de contactos com investidores asiáticos”, além de querer perceber melhor o mercado deste lado do mundo.

Originalmente da Índia, mas agora baseado em Lisboa, Kiruba Shankar Eswaran afirma que a capital Portuguesa é um grande sítio para lançamento de uma empresa. “Fomos uma das primeiras a ser incubadas na Startup Lisboa [uma incubadora de empresas], há três anos e meio e, na altura, ainda nos viam de forma estranha, mas, dois ou três anos depois, Lisboa tornou-se um dos centros para ‘startups’ da Europa”, diz.

Tratando-se de um país pequeno, o empreendedor afirma que “há muitas oportunidades para interagir com outras empresas”, até porque “quase tudo o que se passa em Portugal passa-se em Lisboa”.

Além disso, também resolveu aderir a esta iniciativa, em busca de potenciais investidores. “Se encontrássemos, seria uma vantagem — há muitos capitais de risco em Hong Kong, Macau e China [Continental] que estão a investir em ‘startups’ à procura de entrar na América do Sul”, refere, acrescentando: “Ao nos localizarmos em Portugal, estamos estrategicamente na Europa, mas temos vantagem linguística para lançar imediatamente na América do Sul.”

Entre as representantes de Macau, encontrava-se a IMMO, que pretende lançar uma aplicação para serviços móveis que visa para melhorar a forma como os utilizadores usam o seu tempo livre. “Tem a ver com a cidade e com o meu passado nos eventos, e a ideia de uma agenda cultural, que acho que está em falta na cidade — a ideia de que há muita coisa a acontecer, mas também há muita coisa a acontecer que eu não sei e há muita coisa a acontecer que eu não quero saber”, diz o empresário Manuel Correia da Silva, esclarecendo que esta plataforma pretende “dizer o que está a acontecer, quando e onde”.

O projeto está baseado em Macau, mas, havendo condições, a equipa quer expandir para outras cidades. “É por cidade — queremos começar em Macau, Macau tem todas as boas condições para que isso aconteça”, diz, acrescentando que querem também chegar a Zhuhai, Shenzhen, Hong Kong e Lisboa. “A ideia é que quem usa a aplicação tenha um programa adequado ao seu tempo livre, à sua agenda pessoal, e de acordo com os gostos, com o seu perfil.”

A participação no Fórum Startup Macau surge por terem ganho já um concurso de melhor modelo de negócio, promovido pela incubadora local Manetic, e, depois de uma conversa com António Trindade — presidente e CEO da CESL Asia – Investimentos e Serviços, SA, uma das entidades que concebeu o evento —, terem sido apurados. “Estamos numa primeira fase do processo da ‘startup’ — há uma ideia com potencial, o que viemos aqui procurar foi apoio financeiro para lançarmos o processo de aceleração”, diz.

Macau como ponte

A organização de um evento do género no território veio reforçar a ideia de que Macau pode servir como ponte, algo que António Costa destacou no seu discurso.

O secretário de Estado da Indústria de Portugal, João Vasconcelos, foi ainda mais longe, referindo, em declarações ao PLATAFORMA MACAU à margem do evento, que sentiu agora “uma atitude diferente” no que toca ao papel do território. “Há uma vontade muito genuína de permitir outras fontes económicas para Macau, além do jogo e turismo”, afirmou, acrescentando: “O Brexit [o nome pelo qual é conhecido o processo de retirada do Reino Unido da União Europeia] também veio tornar Macau provavelmente a curto prazo a melhor ponte entre a China e a Europa. As grandes relações de Hong Kong são com o Reino Unido, o Brexit foi uma grande oportunidade para Macau e temos de saber agarrar, acho que isso está a acontecer.” 

Para Portugal, o objetivo é claro e simples: “Que Macau seja o entreposto entre estas duas culturas — a europeia, através de Portugal, e a China.” E o arranque é feito com “as novas gerações, os jovens empreendedores”, através das “empresas tecnológicas de ciência”.

As empresas portuguesas representadas no Fórum Macau Startup estão todas ligadas à área da tecnologia e inovação. “É mais fácil provavelmente — tem menos custos e é mais rápido para uma empresa com um produto destes perceber se a China é uma opção, do que uma empresa com um produto que tem de montar uma base logística, tem portos, tem logística, tem transportes, tem taxas aduaneiras, demora”, diz. 

Assim, o que se experimentou neste Fórum passa por “uma oportunidade que detetamos”, uma vez que, “nesta matéria do digital, do software, da inovação tecnológica, as fronteiras e diferenças culturais esbatem-se”, criando-se “muitos mais oportunidades para trocas comerciais do que noutros setores mais tradicionais”.

As seis empresas que aqui representaram Portugal foram escolhidas pela Fábrica de Startups pela qualidade, mas também por terem demonstrado interesse neste mercado. “É preciso casar as duas coisas, decidiram vir aqui, também a representar Portugal. É bom haver já empreendedores portugueses a querer vir já para estes mercados”, afirma.

Sobre o memorando de entendimento assinado entre os Governos de Macau e de Portugal nesta área, o secretário de Estado afirma que “virá criar instrumentos que permitam que eventos destes ocorram com muito mais frequência”. Salientando que os políticos já demonstraram a existência da oportunidade através deste protocolo, João Vasconcelos diz que agora cabe aos empreendedores aproveitá-la. “Vamos ver os resultados deste evento [Fórum Macau Startup] e podemos fazer anualmente ou semestralmente (…).”

O balanço

Para o presidente e CEO da CESL Asia – Investimentos e Serviços, SA, o Fórum Macau Startup correu “acima das expetativas”. Em declarações ao PLATAFORMA MACAU,   António Trindade destacou o facto de “‘startups’ da China, Macau e de Portugal estarem no mesmo sítio a encontrarem-se e descobrirem-se uns aos outros e a fazer um ‘pitching’ em frente a juízes experientes, neste micro-sistema de empreendedorismo, perante investidores reconhecidos internacionalmente”.

Sobre a escolha das 19 empresas, António Trindade afirma que houve um processo de recrutamento no território, China e Portugal. “Em Macau, como tudo isto à volta das ‘startups’ não está tão desenvolvido como em Hong Kong, não foi assim tão fácil chegar ao contacto com estas, mas rapidamente nos apareceram uns nomes”, esclarece. 

No caso das empresas em representação da China Continental, essa escolha veio da Universidade de Tsinghua, enquanto em Portugal, tratavam-se de empresas “mais diretamente ligadas ao programa do Governo”. Além disso, a organização tentou ainda encontrar matérias que passam pelos “serviços, turismo, indústria, transferência de ‘know-how,’ inteligência artificial, coisas que fizessem sentido na ligação do empreendedorismo entre Macau, China e Portugal”. 

Na opinião de António Trindade, deverão também daqui resultar parcerias e oportunidades de negócios, por as várias entidades, pessoas, empresas e investidores terem contactado de forma próxima. “Depois do evento terminar, o primeiro-ministro [de Portugal] ficou 15 minutos em contacto com as pessoas; já estavam a desmontar o recinto e havia grupos de pessoas com investidores, havia pessoas do público e outras que eram expressões de grupos de interesse que continuaram a lá falar”, descreve.

O Fórum Macau Startup foi organizado pelo Macau China Think Tank for Fintech Industries e contou com o apoio do Governo de Portugal, bem como das agências de promoção do investimento de Macau e de Portugal. A conferência foi concebida pela CESL Asia – Investimentos e Serviços, SA, pela Fábrica de Startups de Portugal e pela Universidade de Tsinghua. 

Os três vencedores do concurso receberam um prémio em dinheiro no valor total de 20.000 dólares norte-americanos e bilhetes para o Web Summit Lisboa 2016. Os vencedores foram escolhidos por um júri, do qual faziam parte várias individualidades, incluindo o diretor executivo da MGM Macau, Grant Bowie, o diretor do Galaxy Entertainment Group, Philip Cheng, além do fundador da Fábrica de Startups, António Lucena Faria, e de Carlos Abade, do Turismo de Portugal. 

A Web Summit Lisboa 2016

No discurso de participação do Fórum Macau Startup, o primeiro-ministro de Portugal apelou à participação das empresas de Macau e da China Continental na Web Summit Lisboa 2016, que ocorre entre 7 e 12 de Novembro. Referindo-se ao que considera ser “o maior evento mundial na área da inovação e empreendedorismo”, António Costa realçou a importância de estas empresas, juntamente com as de Portugal e de todo o mundo, “se conhecerem”.

A Web Summit é uma conferência global de tecnologia que decorrerá este ano em Lisboa

— e nos dois anos seguintes, com possibilidade de mais dois anos —, onde são aguardados mais de 50.000 participantes, de mais de 150 países, incluindo mais de 20.000 empresas, 7.000 presidentes executivos, 700 investidores e 2.000 jornalistas internacionais.

O Centro de Empreendedorismo e Inovação de Macau

O Fórum Macau Startup tem em vista também “servir de catalisador para a dinamização do futuro Centro de Macau para a Inovação Empresarial, que servirá também como uma base para a incubação de ‘startups’ de Macau, portuguesas e chinesas”, conforme descrito em nova enviada à imprensa pelos organizadores. O Centro tem abertura prevista para o próximo ano e deverá proporcionar uma plataforma para estreitar laços regionais,

contactos, formação e oportunidades para jovens empreendedores.

Luciana Leitão

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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