Nuclear, talvez obrigado - Plataforma Media

Nuclear, talvez obrigado

Hoje Macau destaca esta semana o cerco nuclear a Macau, com cinco centrais a distâncias “perigosas”, alerta o Greenpeace. Taishan, a 67 km, está ainda em construção; mas, a 110 km, Ling’Ao sofreu três acidentes, só este ano, acordando velhos fantasmas da destruição.

O debate nuclear, muito aceso há três décadas, tem hoje novos contornos, alguns deles contraditórios. Por um lado, a investigação no maior acelerador de partículas do mundo, na Suíça, reaviva a esperança na fusão fria das moléculas – o que reduziria drasticamente o perigo – mas também revela a noção de que não há energias “verdes” verdadeiramente capazes de substituirem os combustíveis fósseis, sobretudo na indústria pesada; por outro, países como Portugal, líder nas energias alternativas, provam que a energia solar, a eólica e a hidroelétrica cobrem altas taxas de consumo privado, sobretudo em economias menos industrializadas. 

Na década de 1980, os crachás amarelos com caveiras sinistras enfeitavam os peitos das mais belas jovens do liceu, de saias ao vento e punhos no ar. Imagem, essa, que formatou uma geração. Afinal, quem podia ser pela destruição do planeta, contra ofertas de paz e amor? Chernobil, nessa altura; mais recentemente Fukushima, dão força ao radicalismo antinuclear. Mas seriam precisas muitas mais para resolver as previsíveis necessidades energéticas do futuro. Já prolongar a era do carvão e do crude, como a China já está a fazer em África, não dá saúde nem faz crescer. 

O debate não está esgotado e não estamos livres de um dia sermos obrigados a aceitar o nuclear; ou, pelo menos, outros níveis de segurança. Paradoxalmente, sendo a mais poderosa, é também a energia mais “limpa”. Exceto, claro, em caso de acidente. Por isso, enquanto uns desmantelam centrais antigas, outros sonham com tecnologia avançada e mais segura. E é neste contexto que a China, maior devorador de carvão do planeta, estende a sua rede nuclear. Teme-se é que não seja a mais segura do mundo; sabe-se que a informação é escassa e pouco credível; lamenta-se que o regime esconda as meninas de punho no ar. Assim é que não, obrigado.

Paulo Rego

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