Bibliotecas criam acervo digital único - Plataforma Media

Bibliotecas criam acervo digital único

As bibliotecas nacionais de Portugal e Brasil juntaram-se num portal online, criando uma Biblioteca Digital Luso-Brasileira (BDLB), com conteúdos digitais produzidos pelas duas instituições e outras entidades, num esforço único em língua portuguesa. 

“A Biblioteca Luso-Brasileira representa um grande esforço conjunto para dar nova dimensão, relevância e visibilidade aos conteúdos culturais em língua portuguesa na Internet”, explica à Lusa o presidente da Biblioteca Nacional do Brasil, Renato Lessa.

O projeto, diz Helena Patrício, da Direção de Serviços de Coleções Especiais da Biblioteca Nacional de Portugal, tem “como principal objetivo a disponibilização num único ponto de acesso dos conteúdos digitais produzidos por ambas as bibliotecas nacionais ou por outras entidades que participam nos agregadores por elas mantidos”, entre os quais se contam o Registo Nacional de Objetos Digitais (RNOD, de Portugal) e a Rede de Memória Virtual Brasileira”.

“Estamos abrindo as estantes e colocando as pessoas em contacto direto com o que as duas bibliotecas têm de mais precioso”, acrescenta o responsável brasileiro. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira pode ser consultada no site http://bdlb.bn.br/.

De acordo com Helena Patrício, os conteúdos disponibilizados por entidades portuguesas correspondem a mais de 130.000 documentos, que ultrapassam 1,5 milhões de imagens digitais, publicadas nas bibliotecas digitais da BNP e de mais de 30 membros do RNOD, uma lista em que se incluem a Assembleia da República, o Teatro Nacional D. Maria ou o Instituto de Investigação Científica e Tropical. No acervo, do lado português, estão documentos da Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fundação Calouste Gulbenkian, Forças Armadas, Hemeroteca da Câmara Municipal de Lisboa ou Biblioteca Pública Municipal do Porto, entre outros.

“A disponibilização dos conteúdos digitais produzidos pela BNP e pelos membros do RNOD em serviços coletivos de acesso aumenta a sua visibilidade na internet, pois ficam disponíveis num maior número de sistemas, propiciando novos serviços para a descoberta, relacionamento e utilização desses recursos”, salienta Helena Patrício.

Já o diretor da instituição brasileira acredita que o projeto terá um impacto “extraordinário” para a pesquisa e a promoção da língua portuguesa no mundo. “A Biblioteca Luso-Brasileira representa um grande esforço conjunto para dar nova dimensão, relevância e visibilidade aos conteúdos culturais em língua portuguesa na Internet”, salienta Renato Lessa.

O objetivo, acrescenta, é atrair novos leitores e utilizadores dos acervos históricos, que representam a memória dos dois países e de grande parte da história da língua portuguesa. “Estamos abrindo as estantes e colocando as pessoas em contacto direto com o que as duas bibliotecas têm de mais precioso”, salienta.

Para Renato Lessa, a língua portuguesa não tem uma política capaz de promoção no exterior, funcionando principalmente como um idioma de uso doméstico. Ora, defende o investigador brasileiro, esta iniciativa favorece uma política de fortalecimento e disseminação do português no cenário internacional.

Sobre a importância da iniciativa para as relações culturais bilaterais, o presidente da instituição brasileira disse que “a relação entre Portugal e o Brasil passa pela língua portuguesa, e vai muito além do acordo ortográfico. Este é o grande projeto que temos na Biblioteca Nacional hoje no âmbito da cooperação entre as duas nações”.

Entre as raridades que podem ser consultadas pelo grande público, destaca-se um acervo de primeiras edições de Os Lusíadas em português, de 1572, ou a Carta de Abertura dos Portos, de 1808, assinada pelo príncipe regente, D. João de Bragança, em Salvador, que marcou o processo de afirmação internacional da então colónia do Brasil Os dois responsáveis das bibliotecas disseram ainda que pretendem alargar o projeto aos outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no quadro do esforço de parcerias internacionais para a consolidação do português, na cena internacional.

Acordo Ortográfico online

O projeto de acervo online das duas principais bibliotecas públicas de Portugal e Brasil é a etapa mais recente de um processo global de afirmação digital da língua portuguesa. No processo de consolidação do Acordo Ortográfico, o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) criou um conselho de especialistas dos vários países da CPLP para acompanhar a implementação do Vocabulário Ortográfico Comum (VOC).

O VOC, afirma à Lusa o presidente do conselho científico do IILP, vai acompanhar a publicação online das palavras de uso nacional de língua portuguesa. Em declarações à Lusa, Raul Calane da Silva, explica que é preciso harmonizar e ter especialistas para dizer como é que será escrita determinada palavra oriunda de países africanos, do Brasil ou de Portugal. 

“É preciso acertar isso tudo. Essa comissão de especialistas é quase permanente, tem de estar sempre em cima do acontecimento, para termos sempre uma resposta rápida e eficaz e cientificamente bem elaborada para introduzirmos os novos termos que começam a ser usados no VOC”, explica.

Esta estrutura irá dar apoio particular aos países mais atrasados na definição do vocabulário nacional, como são o caso da Guiné-Bissau ou da Guiné Equatorial, que entrou há dois anos para a CPLP. “Não basta só terminar o VOC. Temos também o projeto das terminologias científicas, temos de harmonizar, uniformizar, estar de acordo com cada um dos nomes e das normas que usamos na nossa investigação científica, seja em área for”, acrescenta Raul da Silva.

O VOC, uma plataforma na Internet que alberga os instrumentos que determinam legalmente a ortografia da língua portuguesa, foi oficialmente reconhecido pelos Estados-membros da CPLP na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo, que aconteceu em julho de 2014 em Díli.

A base de dados digital é um instrumento previsto pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa firmado em 1990 pelos países da CPLP e tem ainda como objetivo a promoção, difusão e projeção da língua portuguesa. As propostas de vocabulários já aprovadas pelos vários países serão ratificadas na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

Cristina Rosa e Carolina de Ré

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