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China deve melhorar a produtividade

As organizações internacionais continuam a apostar no potencial de inovação da China, que no entanto permanece por realizar. O Fórum Económico Mundial diz que a melhoria dos indicadores será crucial não só para o país, mas para o ambiente económico geral

Pelo segundo ano consecutivo, a China mantém-se na 28ª posição do ranking mundial de competitividade organizado pelo Fórum Económico Mundial (FEM) na publicação anual que há mais de trinta anos testa os fatores de crescimento de mais de uma centena de países. A classificação insere-se numa tendência de estagnação de seis anos nos principais indicadores do índice global de competitividade (IGC) calculado pela organização.

Perante o abrandamento global das economias, ao qual são contrapostos os avanços nos processos de automatização com recurso às novas tecnologias de informação – a chamada quarta revolução industrial – o relatório deste ano do FEM apela a que os países não se acomodem nos respectivos de processo de ajustamento aos novos cenários macroeconómicos, mas façam antes um esforço adicional para obterem ganhos de produtividade com a inovação.

O aumento da produtividade favorecerá o crescimento global, diz o documento, onde as projeções revistas do Fundo Monetário Internacional da última terça-feira avançam uma expansão da riqueza mundial em 3,1 por cento do PIB para 2015, e abaixo das previsões do início do ano. Em particular, o FME faz notar que há ainda bastante margem para melhorar a eficiência do uso do capital e trabalho nos processos de produção nos países emergentes. No caso da China, desde 2007, o total dos fatores de produtividade tem exibido uma tendência de queda, embora mantendo-se sempre positivo. O crescimento da última década, por comparação com a anterior, revela uma média de 0,2 por cento (no conjunto das economias emergentes, a produtividade contraiu-se, por contraste, nessa mesma medida), mas o desnível é acentuado quando se comparam aumentos de produtividade próximos dos oito por cento em 2007, com os ganhos residuais do mais recente ano de 2013. 

“Perante o aumento dos custos de produção, o envelhecimento da população e o declínio do retorno sobre os investimentos feitos nas últimas três décadas, a China deve agora evoluir para um modelo onde os ganhos de produtividade são gerados através da inovação e a procura através do consumo doméstico”, defende a publicação liderada pelo economista alemão Klaus Schwab, o fundador do Fórum Económico Mundial, e também o seu presidente.

Para tal, a China está colocada em relativa vantagem. Mantendo-se como a 28ª economia mais competitiva do mundo, no quadro dos vizinhos regionais emergentes é apenas ultrapassada pela Malásia – que este ano ascende dois lugares na tabela do FEM colocando-se na 18ª posição. A Índia, por exemplo, surge como 55ª classificada na análise do fórum. 

Novo normal desafia produtividade

Com uma meta oficial de crescimento de sete por cento para este ano – e abaixo disso nas expectativas internacionais –, o FEM faz notar que o abrandamento chinês era inevitável, após três décadas de taxas de crescimento na ordem dos dez por cento, mas considera improvável que este ocorra de uma forma abrupta. Numa visão que tem sido, aliás, corroborada até aqui pelo FMI e outras instituições. 

Há, porém, muitos riscos e desafios. “No quadro do novo normal será mais difícil alcançar ganhos de produtividade”, admite o relatório do fórum. Neste caso, o que a China tem para mostrar refere-se aos indicadores básicos de fomento da produtividade.

“A China alcançou um nível quase universal de educação primária e níveis elevados de saúde pública, investiu de forma massiva em infraestruturas de transportes e energia, e garantiu um ambiente macroeconómico relativamente estável”, elenca o FEM. “Estes sucessos não apenas contribuíram para a emergência da China como centro de manufatura, são também ativos a partir dos quais construir”, defende.

Destes fatores, resultam boas avaliações numa parte importante dos indicadores de que se compõe o IGC, mas não na sua maioria. E há determinantes de competitividade especialmente assinaladas pelos economistas do fórum.

Para começar, está a debilidade do sector financeiro, com a saúde dos bancos chineses a surgir classificada em 78ª posição, entre a banca de 144 países e territórios, devido a um nível que se estima elevado de crédito malparado afetado ao sector estatal, e com a dificuldade de acesso a financiamento a ser apontada como segunda principal preocupação da comunidade empresarial num inquérito que acompanha o estudo econométrico. A maior de todas é capacidade insuficiente de inovar.

Outros aspectos de má classificação dizem respeito à eficiência do mercado de consumo (58ª posição), corrupção (67ª), tempo necessário à criação de novas empresas (123ª), ensino superior e formação (68ª) e preparação tecnológica (74ª).

Em sentido oposto, a China lidera – naturalmente – na dimensão de mercado (1ª economia do mundo) e algumas infraestruturas: tem o segundo lugar mundial na capacidade de transporte aéreo de passageiros e o 16º pela qualidade da sua rede ferroviária. Ao nível macroeconómico, é terceira no volume de poupanças nacionais e primeira no que diz respeito ao impacto da inflação. Destacam-se também as aquisições públicas de produtos tecnológicos avançados (9ª) e os gastos das empresas com inovação e desenvolvimento (23ª). 

Fatores como uma primeira classificação mundial na taxa de prevalência de VIH, no capítulo de saúde pública, alertam no entanto para o facto de que parte dos dados de que se compõe o índice é de natureza oficial e tem sido contestada em diferentes ocasiões.

“Os ganhos futuros terão de resultar de mais reformas orientadas para o mercado para resolver as remanescentes distorções, controlos e rigidez transversal à economia e para permitir um uso mais eficiente dos fatores de produção”, adverte o documento do Fórum Económico Mundial, que conclui a avaliação chinesa com uma nota optimista. 

“O novo normal da China trará novos desafios ao aperfeiçoamento da produtividade, mas o desempenho forte em diferentes áreas do IGC indica que o país está numa boa posição para os enfrentar”, lê-se.

A percepção vai ao encontro, aliás, de outros juízos recentes sobre a competividade do país. A escola de gestão INSEAD, em colaboração com a Universidade de Cornell, classifica este ano a China na 29ª posição no ranking de inovação, com a perspectiva de que esta ascenda ao top 25 num futuro próximo. A consultora Mckinsey declarou também em Julho último que “com as políticas corretas acionadas para apoiarem o empreendedorismo, encorajarem a concorrência de mercado em mais indústrias, e tornando a China mais atraente para os principais quadros científicos, a China pode ser bem sucedida em todas as formas de inovação”.

” O novo normal da China trará novos desafios ao aperfeiçoamento da produtividade, mas o desempenho forte em diferentes áreas do IGC indica que o país está numa boa posição para os enfrentar ”  (diz o Fórum Económico Mundial)

Maria Caetano

9 de Outubro 2015

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