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Limites do orgulho nacional

Em todo o mundo, e em todas as épocas, o sentimento nacional é explorado pelo poder político; representantes da nação vista como um conjunto de experiências históricas, comportamentos, crenças e hábitos que definem a identidade de um povo. Por um lado, essa estrutura cultural promove o devir coltetivo; por outro, constrói o sentido de pertença e a cola emocional que só tem paralelo na vivência em família ou na devoção religiosa. Contudo, é muito ténue a linha que separa o paladar nacional do veneno nacionalista. E em tempos de crise é particularmente sensível preservar esse espaço de segurança.

A crise económica global ergue bandeiras protecionistas, com cada nação a proteger os seus cidadãos contra o desejo dos outros. Mas vivemos também tempos de fragilidade política e ideológica, com teses radicais a ganharem terreno aos consensos e à tolerância. Por fim, estes são tempos de conflitualidade, com focos de tensão dispersos um pouco por todo o planeta, tenham elas substrato histórico, agendas culturais, motivos religiosos ou razões económicas. O mundo está longe de descansar em paz e harmonia, razão pela qual é particularmente importante traçar essa linha entre o orgulho de sermos quem somos e respeito por aquilo que são os outros.

Estes são dias de festa na China, país orgulhoso de ser o que é, bem como das suas mais recentes conquistas, entre elas uma posição de liderança mundial ainda há pouco inimaginável. O dia 1 de Outubro tornou-se também especial para a Região Administrativa Especial de Macau que, orgulhosa da sua História e da sua autonomia, integra agora uma grande nação, com uma História ímpar, um presente entusiasmante e um futuro promissor. Mas estes são também dias, talvez como nenhuns outros, em que é preciso lembrar dos limites que deve ter o orgulho, para que nos possamos sempre orgulhar de nunca termos ultrapassado a linha que nos separa do lado de lá.

Paulo Rego

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