“Faz todo o sentido apostar nesta plataforma” - Plataforma Media

“Faz todo o sentido apostar nesta plataforma”

A Abreu Advogados atua nos cinco continentes, estratégia em grande parte responsável pelo sucesso que a coloca entre os três maiores escritórios portugueses. Em Macau, onde atuam em parceria com Rui Cunha, lançam agora uma aposta renovada para aproveitar as novas oportunidades abertas pelo interesse chinês nos países de língua portuguesa

A estratégia da Abreu Advogados em Macau “tem um imenso potencial” e está em curso “uma aposta muito forte” na construção das novas oportunidades que se abrem “neste momento intenso das relações económicas e comerciais entre a China e o mundo que fala português”, explica Duarte Athayde, que veio com Miguel Teixeira de Abreu para uma série de reuniões agendadas com o fim de melhor perceberem os caminhos da plataforma sinolusófona e nela reposicionarem aquela que é uma das três maiores sociedades portuguesas de advogados e que, em Macau, atua através de uma parceria com a C&C, de Rui Cunha. “Faz todo o sentido apostar nesta plataforma”, conclui Duarte Athayde.

Mais de 190 advogados, entre os 280 funcionários da Abreu, estão há muito habituados a este cruzamento geográfico das oportunidades, num escritório “desde sempre apostado na internacionalização”. Por visão e ambição estratégica, mas também por um conjunto de circunstâncias “até por questões geracionais”, haveria limites ao crescimento se todas as fichas tivessem sido postas em território nacional, onde outros escritórios estabelicos e com fama relacional ocupavam já parte significativa do espaço existente. Sendo reconhecido pela certificação de qualidade dos serviços jurídicos; ou pela aposta na sustentabilidade – “a partir da área jurídica, e na nossa relação com os clientes, tentamos dar o nosso contributo para uma economia sustentável, explica Duarte Athayde” – a Abreu Advogados tem também como imagem de marca a capacidade de se globalizar. Aliás, é daí que vem “grande parte do nosso trabalho”, explica o causídico. Os países de expressão portuguesa “nunca foram o nosso limite”, ressalva Duarte Athayde, mas por maioria de razão são parte essencial desse processo de internacionalização. Haverá razões históricas e culturais para isso, mas é “sobretudo a matriz comum do Direito” que dita proximidades acrescidas, conclui.

Macau é diferente

O caso de França, onde a Abreu atua em parceria com a FIDAL – gigante europeu com larga experiência na gestão de redes jurídicas globais – é um exemplo claro da especificidade de ser português, mesmo com uma visão global e multicultural dos mercados. Acabam ambos por atuar em dois mundos – o francófono e o lusófono – naturalmente com liderança processual definida pela gestão de clientes e conhecimentos jurídos moldados pela geografia de preferência.

Seja com porta aberta e placa com marca própria, seja através de parcerias com escritórios locais, regra-geral a estratégia da Abreu passa pela presença física e punho próprio das suas equipas de advogados nos terrenos da internacionalização, crescendo a partir daí na captação de clientes e gestão jurídica de projetos. Mas há duas jurisdições nas quais atuam de forma diferente: Macau é uma delas; a outra é o Brasil. “Porque é precisamente onde a nossa presença direta não traz mais-valia; e sentimos sempre essa necessidade de aportar valor quando decidimos investir as nossas próprias equipas”, explica Duarte Athayde. Em Macau, conclui, “não faz sentido estarmos presentes de forma direta, porque os escritórios que cá existem são perfeitamente capazes de prestarem os serviços jurídicos necessários e de darem resposta às necessidades do mercado. Aqui seríamos apenas mais um”.

Daí a opção da parceira estabelecida com Rui Cunha, a partir da qual exploram “novas oportunidades e novos horizontes, conquistando novos clientes a partir de realidades multiculturais que “tornam mais abrangentes os horizontes, quando se atua em conjunto”, remata Duarte Athayde, referindo-se ao escritório aberto em TimorLeste – já fruto desta parceria – como exemplo acabado da multiplicação de capacidades. “É essa a nossa plataforma”, remata Duarte Atahyde, sempre muito atento a todos os pormenores da conversa que lhe permitam percecionar as transformações em curso na China, o papel de Macau como plataforma de oportunidades cruzadas ou o acordo CEPA, que vai abrindo portas à livre circulação de pessoas, bens e capitais na região do Grande Delta do Rio das Pérolas.

Investir no longo prazo

“Em Portugal temos assistido a uma enorme massa de investimento chinês, que não move só capitais e empresas, mas também projetos individuais e as próprias pessoas”, frisa Duarte de Atahyde, lembrando os “cerca de 400” vistos de residência tratados pelo escritório e atribuídos a cidadãos chineses. Ou seja, dez por cento do total dos Vistos Gold atribuídos por Portugal. “Apesar da crise, os que foram lá estão e vão ficar; e outros virão, porque sabemos que a cultura de investimento chinês é de longo prazo”, frisa o advogado, concluindo: “Portugal quer hoje claramente afirmar-se como uma porta de entrada para a Europa e é isso que temos de potenciar”.

No sentido contrário, de lá para cá, Duarte de Athayde destaca as vantagens da plataforma que Macau representa para a conquista do mercado chinês no processo de internacionalização de produtos e serviços lusófonos: “Enquadramento fiscal inteligente e favorável, quer para a prestação de serviços quer para gestão de investimentos; tratados de não dupla tributação com todos os países lusófonos, excepto Angola – que não tem com ninguém – e o acordo CEPA”- Duarte de Atahyde recorda a propósito uma apresentação da Abreu Advogados, no Brasil, durante a qual mencionou esta malha jurídica que abre a porta à exportação para a China, a partir de Macau. “Durante duas horas os brasileiros não pararam de me fazer perguntas sobre isso”.

Defesa da propriedade

A presença de Miguel Teixeira de Abreu e Duarte Athayde em Macau é também aproveitada para a realização da Assembleia-Geral da Associação para a Defesa da Propriedade Intelectual nos Países de Língua Portuguesa APILOP, à qual está particularmante ligado João Assunção, que trabalha em Macau para a Abreu Advogados, no escritório da C&C.

 

Paulo Rego

18 de setembro 2015

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