Início » Um em cada dez presos em Portugal cometeu crime de violência doméstica

Um em cada dez presos em Portugal cometeu crime de violência doméstica

Cerca de um em cada dez reclusos em Portugal está preso por crimes de violência doméstica, num contexto em que o número de detidos preventivos e de condenados por este tipo de crime tem vindo a aumentar. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e analisados pela ministra da Justiça em entrevista à Lusa.

Segundo as estatísticas referentes a 2025, cerca de 9% da população prisional — aproximadamente um em cada dez reclusos — cumpre pena ou aguarda julgamento por violência doméstica. No total, 376 pessoas estavam em prisão preventiva, mais 11% do que no ano anterior, enquanto 1.184 já tinham sido condenadas, o que representa um aumento de 16% face a 2024.

A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, sublinhou que, apesar de as participações por violência doméstica registarem uma ligeira descida, os números de condenações e de prisões preventivas aumentaram de forma significativa. “Sabemos que os números de queixas diminuíram ligeiramente, mas também sabemos que houve um aumento expressivo dos condenados e dos presos preventivos por violência doméstica”, afirmou.

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna relativo a 2025, as autoridades registaram 29.644 participações por violência doméstica, menos 577 do que no ano anterior, o que representa uma descida de 1,9%.

Apesar dessa redução, continua a não existir uma leitura completa sobre a reincidência destes crimes, ou seja, quantos dos reclusos já tinham antecedentes pelo mesmo tipo de delito. Essa ausência de dados detalhados limita a definição de políticas de prevenção mais direcionadas.

Leia mais:  Cantor João Miguel condenado por violência doméstica

Perante este cenário, o Governo vai avançar com um estudo específico sobre a taxa de reincidência em casos de violência doméstica. O objetivo, segundo a ministra, é compreender melhor os padrões de repetição do crime e identificar eventuais falhas no sistema de resposta.

“É importante perceber que o contexto da violência doméstica pode também gerar mais agressão”, afirmou Rita Alarcão Júdice, acrescentando que muitos dos reclusos são pessoas já conhecidas do sistema judicial.

Em paralelo, a Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica, recentemente reforçada em março, vai alargar o seu trabalho. Para além da análise de homicídios em contexto de violência doméstica, passará também a estudar casos em que houve denúncias que acabaram arquivadas ou situações em que as vítimas desistiram do processo.

O objetivo é identificar falhas na deteção precoce e na atuação das entidades responsáveis. “Onde é que os alertas falharam? Onde é que os meios disponíveis não atuaram quando deveriam?”, questionou a ministra, defendendo uma abordagem mais preventiva e integrada no combate.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!