Há quase duas semanas que a capital moçambicana enfrenta uma pressão contínua no abastecimento, com vários postos encerrados ou a funcionar com limitações severas. A procura por combustível transformou-se numa rotina de espera prolongada, com muitos automobilistas a relatarem dificuldades em abastecer e a optarem por deixar as viaturas estacionadas.
A crise, associada ao aumento dos custos internacionais de energia e aos efeitos indiretos da instabilidade no Médio Oriente, está a afetar de forma direta o setor dos transportes semicoletivos, conhecido localmente como chapas, que assegura a mobilidade da maioria da população.
Nas paragens da cidade, repetem-se diariamente cenas de congestionamento e espera prolongada. Muitos passageiros são obrigados a realizar múltiplas ligações para chegar ao destino, enfrentando veículos sobrelotados e horários imprevisíveis. “Deixei o carro em casa por falta de combustível”, relata um dos utilizadores, descrevendo uma rotina marcada pela incerteza.
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Os transportadores também enfrentam dificuldades acrescidas, com alguns veículos imobilizados por falta de abastecimento. Em vários casos, o combustível disponível é insuficiente para garantir um dia completo de operação, levando à interrupção de serviços e à redução da oferta de transporte.
O Governo moçambicano já admitiu a possibilidade de subida dos preços dos combustíveis, justificando a medida com o aumento dos custos de importação. Paralelamente, apelou à racionalização do consumo e ao reforço do uso de transportes públicos, bem como ao recurso ao trabalho remoto sempre que possível.