José Goulão * - COLIGAÇÕES SANGRENTAS - Plataforma Media

José Goulão * – COLIGAÇÕES SANGRENTAS

 

É difícil usar o instrumento da palavra para talhar com a dimensão e os conteúdos devidos o somatório de revolta, indignação, dor e medo provocado pelos acontecimentos no semanário “Charlie Hebdo”, em Paris. É o terrorismo em estado puro.

É difícil usar o instrumento da palavra para talhar com a dimensão e os conteúdos devidos o somatório de revolta, indignação, dor e medo provocado pelos acontecimentos de 11 de março de 2004, em Madrid, que vitimaram os passageiros inocentes de um comboio matutino. E os fuzilamentos, crucificações e decapitações, incluindo também as de reféns norte-americanos e britânicos, praticados em massa, pelo chamado Estado Islâmico no Iraque e na Síria, vitimando centenas de inocentes de cada vez. E as chacinas atribuídas ao governo da Síria e a grupos financiados e treinados pelos países da OTAN e da União Europeia coligados no âmbito dos chamados “Amigos da Síria”. E os raptos de adolescentes e os massacres de civis cometidos pelo BokoHaram na Nigéria e países limítrofes.

E o massacre na Casa dos Sindicatos de Odessa cometidos por grupos neofascistas associados ao governo em funções na Ucrânia. E o regime concentracionário imposto por Israel na Faixa de Gaza, que vigora perante a complacência geral, nos intervalos dos massacres cometidos pelas tropas israelitas mudando apenas a designação da operação para estabelecer as parcelas de uma soma assassina. E os atentados cometidos contra civis israelitas, através do lançamento de mísseis ou de homens/mulheres bombas, e também contra alvos culturais, memoriais e religiosos hebraicos através do mundo.

E os assaltos mortais contra igrejas cristãs, sinagogas, mesquitas e templos de outras crenças que se tornaram hábito no mundo. E o caos de terror em que mergulhou a Líbia depois da guerra e golpe de Estado praticados por grupos e milícias fundamentalistas islâmicos numa coligação com a OTAN em que se envolveram, com posições de liderança, o Reino Unido e a França.

E as vítimas civis dos bombardeamentos e guerras israelitas no Líbano. E as vítimas civis de uma adição selvagem, que não anda longe de um milhão, geradas pelas invasões do Afeganistão e do Iraque, que além de não resolverem os problemas invocados para lhes dar origem criaram novas situações que correspondem a imprevisíveis tragédias humanitárias. E as vítimas civis dos ataques com drones no Afeganistão, Paquistão, Mali, Iémen, Somália.

E invasão do Barhein conduzida pela Arábia Saudita, com apoio tácito da OTAN, para afogar a “Primavera Democrática”. E o golpe militar que no Egito transformou em morte, numa farsa de justiça e de democracia a “Primavera Árabe”.

E os palestinianos assassinados, desalojados, exilados e encarcerados de há quase 70 anos para cá, por pretenderem ter um país e uma bandeira cujo direito lhes é reconhecido por lei.  É o terrorismo em estado puro.

 

*Jornal de Angola

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